2015-02-27

Brasão CUNHA MONTEIRO - Covilhã, (Séc. XVIII)

Travessa do Cimo / Rua 6 de Setembro

Herdeiros do Dr. Manuel Monteiro de Sande e Sousa (c. 1630),

Juiz dos Órfãos da Covilhã em 1661.


provavelmente de
Francisco Monteiro da Cunha de Sousa e Sande (n. 1696?) ?

  

Brasão de:     Família MONTEIRO DA CUNHA.
De FRANCISCO MONTEIRO DA CUNHA DE SOUSA E SANDE (n. 1696?)?.
Forma:        Escudo português partido em pala: a 1.ª partição de CUNHA, com nove cunhas em três palas; a 2.ª de MONTEIRO, com três trompas, duas em cima e uma em baixo.
(Representação a cores: CUNHA – em campo de ouro, nove cunhas de azul em três palas; MONTEIRO – em campo de prata, três trompas de caça de negro, embocadas e viroladas de ouro, os cordões de vermelho.) 
Elmo:             De grades, voltado a três quartos de perfil, olhando à esquerda do escudo.
Timbre:         Dos CUNHA que é um grifo sainte (que seria de ouro, semeado de cunhas de azul).
Paquife:         De folhas de acanto envolvendo o escudo.
Local:            Travessa do Cimo - no muro exterior do logradouro da casa sita à Rua 6 de Setembro, n.º 17 (às Portas do Sol), na Covilhã.
Data:              Século XVIII.


Pedra de Armas dos CUNHA MONTEIRO.
Pedra de Armas 
Pedra de Armas dos
CUNHA MONTEIRO.
      Dentro do perímetro da antiga cerca da então vila da Covilhã, mais precisamente junto à muralha que passava nas traseiras da Câmara Municipal, entre as Portas do Sol onde se situava a judiaria medieval e a Igreja de Santa Maria da Covilhã, encontra-se uma pedra de armas barroca que passa desapercebida, pois está encastrada junto ao rebordo superior do muro do logradouro anexo à casa da Rua 6 de Setembro, n.º 17, defronte para o início da Travessa do Cimo, fora do contexto da fachada solarenga onde  outrora estaria colocada[1].
     Apesar de maltratada pelo passar do tempo, revelando o desgaste dos elementos naturais, aparenta ter sido talhado pelas mãos de um hábil artista canteiro que ficou desconhecido na história local. Pela observação da sua localização, presume-se ter ficado muito tempo oculta pela vegetação daninha que tomou conta do muro onde se encontra e só recentemente despertou a atenção do observador, daí nunca ter sido mencionada nas antigas monografias da Covilhã.
Covilhã, Portas do Sol.
     A sua cuidada volumetria ao estilo joanino, não muito habitual nas pedras de armas existentes nesta região, apresenta uma curiosa exuberância de formas geradoras de contrastes de luz e de sombra, as quais lhe conferem alguma qualidade plástica que a remetem para a primeira metade do século XVIII.
Pedra de Arrmas no topo do muro,
na Travessa do Cimo,
     Desconhece-se como foi parar ao topo do muro deste quintal – formado por um quadrilátero delimitado pelas ruas 6 de Setembro[2], Travessa do Peixe e Travessa do Cimo –, mas certamente foi desmontada da fachada de uma casa arruinada que outrora aí existiu, ou da casa actual aí reedificada em substituição da anterior, cujo proprietário, não tendo direito ao uso destas armas as veio a colocar muito perto do local onde outrora estavam.
     Lembramos que esta cidade foi severamente castigada pelo terramoto de 1755, tendo sido utilizada a pedra dos muros caídos para a edificação da Real Fábrica de Panos, segundo autorização do rei D. José I datada de 1769. Deste trágico acontecimento resultaram obras de monta que alteraram a fisionomia do casario do burgo medieval. A ruína de muitas casas, devido a este infausto acontecimento, levou ao seu abandono por parte dos proprietários ou à sua reedificação, o que poderá ter sucedido com a casa solarenga onde esteve a pedra de armas em apreço, numa das zonas de residência mais privilegiada deste burgo durante o século XVII.

Covilhã antiga, Paços do Concelho.

O Detentor do Brasão
CUNHA,
Livro do Armeiro-mor.
MONTEIRO,
Livro do Armeiro-mor.
     Este brasão ostenta as armas dos CUNHA MONTEIRO, dois nomes de família cuja existência, em conjunto, era para nós desconhecida na cidade da Covilhã até iniciarmos esta investigação. As monografias locais que passamos em revista, são omissas sobre a sua existência.
     Pesquisamos a literatura da especialidade sobre cartas de brasão de armas e processos de justificação de nobreza, também sem sucesso quanto a encontrar alguém de relevo que na Covilhã tivesse adoptado os dois citados apelidos.
Desconhecendo-se a respectiva carta de brasão de armas, actualmente perdida (?), assim como o respectivo registo no Cartório da Nobreza, restou-nos uma busca em diversas monografias genealógicas, a qual nos trouxe a identificação da família à qual pertenceu esta pedra de armas. Tudo isto graças à generosa divulgação da genealogia familiar feita por Diogo de Paiva e Pona[3], que nos autorizou a sua utilização para estes apontamentos. 

Casa da Rua 6 de Setembro, n.º 17
(implantada no local da casa dos
Cunha Monteiro / Eça Teles ?)
          Segundo uma versão que nos foi facultada por covilhanenses, a casa da Rua 6 de Setembro, n.º 17, implantada no espaço do antigo solar aí existente, ou junto dele, esteve nos últimos tempos na posse da família PAIVA TAVARES.
Foi de António de Paiva Boléo, industrial de lanifícios, do qual passou às mãos de um neto que foi Dr. Aníbal Alçada de Paiva Tavares (1924-2002), nascido em 1924 na freguesia de Santa Maria da Covilhã e falecido a 28-IX-2002 no Fundão quando contava 94 anos de idade, filho de Francisco de Paiva Tavares e de D. Rita Mouzaco Alçada de Paiva, famílias ligadas à indústria têxtil[4], o qual foi o último herdeiro da citada casa que vendeu, tendo ido residir para a sua Quinta do Vale, no Fundão, em cujo concelho possuía outras propriedades. Este foi casado com D. Cecília de Jesus Gaspar (n. 1932), natural da Portela do Fojo, Pampilhosa da Serra, da qual não teve geração.
Não conseguimos apurar nenhuma ligação entre estas famílias e os detentores da pedra de armas que está junto à casa, a qual não enjeitamos totalmente, visto sabermos que os descendeste mais distantes dos Cunha Monteiro e dos Teles de Eça, que eram morgados de São Gonçalo, usaram o apelido Paiva[5]. 

     Os CUNHA MONTEIRO não tiveram origem na Covilhã, mas um deles veio de Lisboa no exercício de um cargo na magistratura – Juiz dos Órfãos – e aqui casou com a herdeira de uma antiga família local que eram os TELES DE EÇA.

     A ascensão social desta família à pequena nobreza, ficou a dever-se em grande parte à formação letrada de várias gerações anteriores, as quais prosperaram através do acesso às magistraturas locais, assim como devido a proveitosas alianças matrimoniais com outras famílias da pequena nobreza regional.
Covilhã, Câmara Municipal.
Terá sido este o caso do fundador desta linhagem covilhanense que foi MANUEL MONTEIRO DE SANDE E SOUSA (c. 1656), natural de Lisboa, descendente dos MONTEIRO LEIRIA, que aqui veio a casar com D. MARIA DE SÃO JOSÉ TELES DE EÇA (n. 1640).
Ambos herdeiros de antigas cepas genealógicas, foram por sua vez os patriarcas de uma família que nesta cidade permaneceu por várias gerações e daqui irradiou para outras zonas do país, nas quais prosperaram até aos nossos dias as suas vergônteas, como veremos.

  
Sucessão genealógica

§ 1
Covilhã
(Cunha Monteiro)
1.          MANUEL MONTEIRO DE SANDE E SOUSA (c. 1630-1695), natural da freguesia do Socorro em Lisboa onde nasceu em data que desconhecemos, era fidalgo da Casa Real, jurista de formação, e foi o primeiro na sua família a residir na Covilhã onde ocupava o cargo Juiz dos Órfãos quando aí casou em 1662. Depois de ter exercido diversos cargos noutras localidades, residiu na Covilhã onde veio a falecer a 8-IX-1695 na freguesia de Santa Maria, tendo sido sepultado no Claustro do Convento de São Francisco, hoje desaparecido[6], de cuja ordem era Irmão, assim como de outras irmandades às quais deixa em testamento vários legados pios, e no qual dispõe que se «rezem mil missas por sua alma e outras mil missas por promessas que por descuido não tinha mandado dizer», deixando ainda a uma tal Rafaela Maria, “por descargo da sua consciência, cinquenta mil réis para ajuda do seu dote e também pelo que poderia estar devendo a Maria Ferreira[7].
Pouco antes de falecer, instituiu em 22-I-1694 o morgado da Quinta do Vale das Donas, no Tortosendo, concelho da Covilhã.
Teve uma carreira que o obrigou a alguma itinerância pelo país. O primeiro cargo que sabemos ter ocupado, ainda solteiro, foi o de Juiz de Fora em Montemor-o-Novo (Carta de 20-XI-1656)[8], após o que veio a ser Juiz dos Órfãos na Covilhã (1669), terra onde casou, após o que foi nomeado para provedor e corregedor da Comarca do Porto e desembargador da Relação da mesma cidade (1673).
     Durante o reinado de D. Pedro II (1683-1706), acautelando os interesses dos seus herdeiros e certamente em recompensa dos bons serviços que prestou, obteve várias tenças para os seus filhos JOSÉ MONTEIRO DE SANDE (1689) e SILVESTRE MONTEIRO DE SANDE E SOUSA, (1689), ambos residentes na Covilhã.

Para um melhor enquadramento socioeconómico desta família, vejamos os seus ancestrais:
         
         O Dr. Manuel Monteiro de Sande e Sousa (c. 1656) era filho do Dr. FRANCISCO MONTEIRO LEIRIA (c. 1590)[9], do qual algumas notas genealógicas na posse dos seus descendentes dizem ter falecido louco, foi desembargador da Casa da Suplicação, síndico da Câmara de Lisboa, sucessor na casa e morgados de seus pais por morte do sobrinho António Monteiro de Leiria (f. 1639) que faleceu moço em 1639[10], e de sua mulher (e prima?) D. SEBASTIANA DA CUNHA E SANDE (c. 1590)[11], a qual esteve recolhida no Mosteiro de Chelas para professar e do qual saiu para casar, natural de Lisboa, irmã do desembargador Gonçalo Mendes Homem, e filha do desembargador da Casa da Suplicação Rui Gago Homem casado com D. Emerenciana da Cunha.

         Pelo lado paterno era neto do Dr. PEDRO MONTEIRO LEITÃO (ou LEITÃO MONTEIRO)[12], fidalgo da Casa Real, almoxarife dos Paços Reais da Ribeira, senhor da Quinta da Pimenteira ao Vale de Alcântara (em Monsanto) na cidade de Lisboa, casado nas primeiras núpcias de sua mulher D. MARGARIDA DE LEIRIA (c.1560-1636)[13], falecida a 6-III-1598 com testamento datado de 23-II-1598, no qual institui uma Capela para cuja administração nomeia seus filhos.
        O Dr. Pedro Monteiro Leitão por sua vez era filho de JOÃO MONTEIRO LEITÃO, desembargador do Paço, casado com D. CATARINA VELHO DE ALMEIDA; neto paterno de FRANCISCO LOPES LEITÃO que foi casado com D. GUIOMAR CARVALHO.

        Quanto à ascendência de sua mulher D. Margarida de Leiria (c.1560-1636), sabemos ser filha segunda do Dr. FRANCISCO DE LEIRIA (c. 1505-1572), cavaleiro da Ordem de Cristo (15-XII-1564), corregedor e contador das comarcas da Guarda e de Castelo Branco (1550), desembargador do Paço, lente da Universidade de Coimbra, e senhor das casas no Campo da Trindade que herdara de seus pais[14], casado com D. FELÍCIA MONTEIRO (c. 1530)[15], a qual aforou à Câmara de Lisboa metade do terreno das casas da Trindade (11-IX-1574) , com os quais dotou a sua filha Margarida de Leiria (c.1560-1636); e neta paterna do Dr. JOÃO DE LEIRIA (c. 1470-1526), administrador da Casa da Rainha D. Leonor, uma das mais ricas rainhas de Portugal e mulher do rei D. João II (1481-1495) que lhe conferiu para esse efeito 400 réis mensais de moradia, casado nas segundas núpcias de D. CATARINA RODRIGUES (c. 1470), que trouxe para este casamento vários bens havidos do seu primeiro casamento com Rodrigo Afonso (c. 1450), entre os quais as casas no Campo da Trindade (ao Bairro Alto) em Lisboa, assim como uma Capela instituída na Igreja do Convento de São Francisco de Lisboa[16].

D. MARGARIDA DE LEIRIA (c. 1560-1636), filha segunda, era irmã do primogénito Dr. SIMÃO MONTEIRO DE LEIRIA (f. 1609) falecido a 4-I-1609 em Lisboa e sepultado no cruzeiro da Igreja de São Francisco desta cidade, o qual seguiu a carreira das letras como seu pai e foi desembargador dos Agravos e corregedor do Crime da Corte. Sobre ele recaiu a administração da Capela do Convento de São Francisco de Lisboa e dos restantes bens herdados de seus pais[17]. Casou em primeiras núpcias com sua prima D. SEBASTIANA MONTEIRO, da qual teve FRANCISCO DE LEIRIA MONTEIRO que faleceu sem geração ainda em vida de seu pai.
O Dr. Simão Monteiro de Leiria (f. 1609), devido à morte prematura deste seu único filho, dois anos antes de falecer a 22-II-1607, fez um testamento no tabelião Bartolomeu Bernardes em Lisboa pelo qual instituiu um vínculo com os seus bens, aos quais cabia o encargo de 50 missas rezadas e 2 cantadas por cada ano, assim como a obrigação dos seus administradores usarem os apelidos MONTEIRO LEIRIA, sob pena de perderem a administração do mesmo. Nomeou para 1.º morgado o seu sobrinho homónimo SIMÃO MONTEIRO DE LEIRIA, morador na Quinta da Pimenteira e um dos cinco filhos da supracitada irmã secundogénita D. Margarida de Leiria (c. 1560-1636). Este também não teve geração, pelo que o morgado dos Monteiro Leiria passou à posse do seu tio Dr. FRANCISCO DE LEIRIA MONTEIRO (c. 1590)[18], falecido louco, filho da atrás citada D. Margarida Leiria, e pai de MANUEL MONTEIRO DE SANDE E SOUSA (c. 1656), o primeiro desta família a residir na Covilhã. Desconhecemos, a partir daqui, quem sucedeu neste morgado que poderá ter sido extinto, pois as gerações que lhe sucederam não voltaram a usar os apelidos MONTEIRO LEIRIA, obrigação esta que foi imposta pela disposição testamentária do seu instituidor.   
      
       Pelo lado materno o Dr. Manuel Monteiro de Sande e Sousa (c. 1656) era neto do Dr. RUI GAGO HOMEM, desembargador da Casa da Suplicação, fidalgo da Casa Real, e de sua mulher D. EMERENCIANA DA CUNHA, a qual em 1621 já era viúva e morava na Rua Nova da Palma em Lisboa.

       Como constata nesta relação genealógica, grande parte dos antepassados próximos do Dr. Manuel Monteiro de Sande e Sousa (c. 1656) que se fixou na Covilhã, eram letrados, fidalgos da Casa Real, e possuidores de bens que lhes permitiriam uma vida desafogada.

          O Dr. MANUEL MONTEIRO DE SANDE E SOUSA (c. 1656) viria a casar no dia de Natal a 25-XII-1662 na residência de sua mulher, na freguesia de Santa Maria da Covilhã, com D. MARIA DE SÃO JOSÉ TELES DE EÇA (n. 1640), aí nascida a 19-III-1640 e baptizada a 26 do mesmo mês, apadrinhada por José Macedo Tavares e Antónia da Costa.

          Vejamos os antepassados de sua mulher:

Covilhã, Igreja de Santa Maria.
D. Maria de São José Teles de Eça (n. 1640) fazia parte de uma numerosa prole de onze filhos de seu pai JOÃO HOMEM DE EÇA TELES (1606-1646), 1.º administrador do Morgado de São Gonçalo com capela na Igreja de São Pedro da Covilhã (hoje desaparecida), instituída por seus tios António da Costa e D. Joana Oliveira[19], nascido na Covilhã onde foi baptizado a 13-III-1606 na Igreja de Santa Maria e aí falecido a 17-IX-1646 com testamento no qual deixa vários legados pios que foram mencionados no seu assento de óbito, sendo sepultado na Igreja de Santa Maria. Este casou a 27-IX-1629 na freguesia do Paul, concelho da Covilhã, com sua mulher D. ISABEL RIBEIRO SARDINHA (n. 1606), daí natural e baptizada a 23-VII-1606, filha de Diogo Sardinha, familiar do Santo Ofício por carta de 1590, e de sua mulher D. Beatriz Esteves.
Neta paterna de ANTÓNIO DA COSTA TELES (f. 1642), nascido na Covilhã, o qual, conjuntamente com seu irmão Miguel da Costa Eça (f. 1621), fez justificação de nobreza a 16-5-1605 no cartório do Tabelião Manuel Andrade[20], e faleceu a 18-XI-1642 na freguesia de Santa Maria da Covilhã em cuja igreja jaz «em sepultura dos seus antepassados», tendo casado com D. GENEBRA MENDES CARDOSO (f. 1643), falecida a 4-III-1643 na freguesia de Santa Maria e sepultada no Convento de São Francisco da Covilhã, filha João Fernandes de Oliveira e de sua mulher D. Beatriz de Oliveira, os quais fundaram a Capela de São Gonçalo na Igreja de São Pedro da Covilhã, onde viria a ser posteriormente instituído um vínculo com bens que deixaram
Bisneta paterna de SEBASTIÃO DA COSTA, filho de Francisco da Costa e de Joana Sardinha, natural de Beja, casado com D. MARIA TELES DE EÇA[21], nascida na freguesia de Santa Maria da Covilhã, que aí instituiu a Capela de Santo Agostinho com o privilégio de «ter couto para homiziados»[22].

O vínculo da Capela de São Gonçalo, na Igreja de São Pedro da Covilhã, foi instituído com bens deixados por Joana de Oliveira (irmã da citada Genebra Mendes Cardoso) e por seu marido António da Costa Macedo Castelo Branco, nomeando para seu 1.º administrador o seu sobrinho João Homem de Eça Teles (1606-1646).
Esta capela já existia, à data da instituição deste vínculo, e foi fundada pelos pais de Joana de Oliveira, os quais foram João Fernandes de Oliveira e de sua mulher D. Beatriz de Oliveira.
Segundo Artur Quintela[23], nesta igreja de São Pedro, junto ao altar do Coração de Maria, havia uma lápide datada de 1616 com a seguinte inscrição: «Esta Capella mandou fazer António da Costa Castel Branco e sua mulher Joana d’Oliveira para suas sepulturas e do herdeiro que suceder. Te manhã missa todas as semanas do ano. 1616» (sic).

Covilhã, Capela de São Silvestre.
D. Maria Teles de Eça era filha de MANUEL DE EÇA TELES que foi casado no Tortosendo, concelho da Covilhã, com D. ANA FLORÊNCIA NUNES DE ALBUQUERQUEque era filha de João Homem que serviu na Índia e morou na Covilhã, e de sua mulher D. Brites Nunes de Albuquerque; neta paterna de DUARTE DE EÇA, casado na freguesia do Teixoso, concelho da Covilhã, com D. CONSTANÇA TELES, natural do Teixoso, a qual era filha de Martim Gomes Teles que dizem ter sido alcaide-mor de Castelo Mendo, Monsanto e Vila Maior, casado com D. Maria Calvo, aos quais são atribuídas a fundação da Capela de São Silvestre da Covilhã (perto das antigas Portas do Sol)[24], e de Santa Maria de Peraboa (freg. da Peraboa, conc. da Covilhã), às quais vincularam bens.

Algumas das moradas destas famílias terão desaparecido na grande remodelação urbanística que foi feita na Praça do Pelourinho da Covilhã (actual Praça do Município), já no segundo quartel do século XIX.


Covilhã, Praça do Município (antiga).
com uma casa brasonada já desaparecida.


Praça do Município (demolições).




Os EÇAS aqui mencionados tiveram a sua provável origem em D. JOÃO (1352-1387), infante de Portugal e duque de Valência de Campos[25], nascido em Coimbra e falecido em Salamanca, filho do rei D. Pedro I (1320-1367) e de D. Inês de Castro (f. 1355), o qual casou a furto nas sua primeiras núpcias com D. MARIA TELES DE MENESES (c. 1338)[26], a qual veio a falecer, passando D. João a segundas núpcias com D. CONSTANÇA, senhora da Alba de Tormes, filha bastarda de D. Henrique II que foi rei de Castela.
Do primeiro casamento teve um único filho que foi D. FERNANDO DE PORTUGAL (n, 1378), senhor do lugar de EÇA (na Galiza), do qual tomou o apelido que transmitiu à sua muito numerosa descendência, pois «foi casado com muitas mulheres todas vivas, devia ter boa Consciência, ou seguir o Alcorão, em que se permitem muitas mulheres» (Felgueiras Gaio) [27], as quais tiveram cerca de 42 filhos, entre os quais várias destacadas abadessas que herdaram o desmesurados apetites de seu pai e também estão na origem da maioria dos Eça que proliferaram em Portugal, nomeadamente nas Beiras e no Alentejo[28].

Do casamento do Dr. MANUEL MONTEIRO DE SANDE E SOUSA (c. 1630-1695), natural de Lisboa, com D. MARIA DE SÃO JOSÉ TELES DE EÇA (n. 1640), natural da Covilhã, nasceram os seguintes filhos:
2.      JOSÉ ANTÓNIO MONTEIRO DE SANDE E SOUSA (c.1670-1697), que segue abaixo.
2.    PEDRO (1678-1680), nasceu a 18-IV-1678 e foi baptizado no dia 2 de Maio, apadrinhado por Álvaro da Costa Cabral e D. Cataria, mulher de Pedro Chaves e Gusmão. Faleceu ainda criança a 2-IV-1680 na freguesia de Santa Maria da Covilhã, tendo sido sepultado na igreja do Convento de São Francisco.
2.      SILVESTRE MONTEIRO DE SANDE E SOUSA (n. 1680), nascido a 31-XII-1680 na Covilhã onde foi baptizado a 16-I-1681 na igreja de Santa Maria pelo padre Frei Diogo Teles, apadrinhado por seu tio Francisco de Homem de Eça. Faleceu sem geração posteriormente a 27-V-1750, data em que ditou o seu testamento no qual vinculou a parte que restava da Quinta de Vale das Donas, no Tortosendo, acrescentando o morgado que fora instituído pelo seu progenitor.

         Seu pai obteve para ele uma tença de 8$000 réis (15-IV-1688), que lhe foi acrescentada de mais 12$000 réis e hábito de Cristo (18-IV-1701)[29]. Foi provedor da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã (1710/1711).
Casou a 1-X-1702 em Santa Maria da Covilhã com D. MARIA TERESA DA CUNHA, filha de António da Silva de Serpa e de D. Maria de Brito, com procuração do noivo a Bernardo de Macedo, seu primo, que era filho de D. Maria Teles de Eça[30], e da noiva a Diogo de Serpa da Silva.
Deste casamento que voltou a unir nesta família apelidos MONTEIRO e CUNHA, não houve geração.
De uma cópia feita a partir de uma antiga monografia manuscrita, cujo original se perdeu no terramoto de 1755, temos um extracto que refere a antiguidade das armas da família MONTEIRO:

«Esta vila teve sempre famílias nobres porque El Rei D. Sebastião, em uma provisão sua de 6 de Julho de 1570, declara que ela era povoada de muitos fidalgos cavaleiros e pessoas de nobre geração e da criação dos Reis. Ainda tem muitas que são as seguintes:
SILVESTRE MONTEIRO DE SANDE E SOUSA, Cavaleiro do hábito de Cristo. Seu pai o doutor Manuel Monteiro de Sande e Sousa, foi dezembargador da Relação do Porto. E seu avô paterno o doutor Francisco Monteiro de Leiria e Sousa foi dezembargador do paço. Os apelidos são Monteiro, Sande e Sousa. Tem carta autêntica passada em nome de El Rei D. Sebastião, pela qual consta que ao seu ascendente Diogo Rodrigues Monteiro foram concedidas as armas pelos Monteiros, conforme as de D. Fernando Monteiro, seu tridécimo avô que ganhou a serra de Minde e Porto de Mós aos Mouros e conforme as de Diogo Afonso Monteiro, senhor de Cinco Vilas [concelho de Figueira de Castelo Rodrigo], seu terceiro avô e conforme as de Diogo Roiz Monteiro, seu avô, que foi um dos doze que passaram o Douro a nado para livrarem ao Príncepe D. João da traiçâo da ponte de Zamora e são as seguintes:
Um campo de prata e nele três cornetas negras, guarnecidas pelo meio, e os bocais de ouro e os cordôes de fio de ouro. No chefe do escudo uma flor de liz azul. Elmo de prata aberto, guarnecido de ouro. Timbre uma das mesmas cornetas. Outrossim consta da mesma carta que como o dito Diogo Roiz Monteiro, por sua mãe D. Branca de Sousa, era neto de D. Cristóvão de Sousa o qual descendia do Infante Sancho Sanches de Sousa, filho de El Rei D. Sancho lº, lhe foram concedidas as armas pelos Sousas na forma seguinte: Em campo branco, cinco escudos azuis, e em cada escudo cinco quinas brancas que eram do dito Infante, quarteadas com quatro luas minguantes azues, em campo amarelo, que eram do Príncepe Abomalique, o qual fora vencido e morto pelo dito infante, em campo de pessoa a pessoa. Elmo de prata aberto, guarnecido de ouro; timbre um punhal atravessado do meio para a ponta, tinto em sangue, com algumas gotas que lhe caiem. Consta mais da mesma carta que o Dr. Rodrigo Monteiro, relatado por Gamdeçei. 32. onde diz que era doutíssimo, pai do dito Diogo Roiz Monteiro, fo­ra fidalgo da casa de El Rei, dezembargador dos agravos da Casa da Suplicação e Chanceler Mór dela e do Conselho de El Rei D. João 3º, cujo filhamento teve tambem o dito seu filho. E que o dito D. Cristóvão de Sousa fora embaixador de El Rei D. Manuel a várias partes e depois capitão geral e governador do exército mandado a Africa em socorro de Arzila, por El Rei D. João 3º» (sic)[31].

(Luiz Fernando Carvalho Dias, Covilhã – Memorialistas ou Monografistas IX, Blogue: Covilhã – Subsídios para a sua História).   


2.      JOSÉ ANTÓNIO MONTEIRO DE SANDE E SOUSA (c.1670-1697), filho primogénito que sobreviveu aos irmãos, cuja data e local de nascimento desconhecemos, falecido a 16-VII-1697 na freguesia de Santa Maria da Covilhã, tendo sido sepultado no Convento de São Francisco, no qual repousam vários membros desta família. 
             Igreja do Convento de
São Francisco da Covilhã.
 Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi cavaleiro da Ordem de Cristo e alcançou uma tença de 48$000 réis (15-VII-1688), à qual acrescentou outra com 12$000 réis e hábito (21-II-1689)[32].
     Casou a 6-V-1694 em Idanha-a-Velha com D. TERESA DA CUNHA E OLIVAL TELES DE ANDRADE (c. 1675), natural da então vila de Idanha-a-Velha, concelho de Idanha-a-Nova, filha de PAULO GIRALDES DE ANDRADE DA CUNHA TELES (n. 1639), governador de Idanha-a-Velha, terra onde nasceu a 3-VII-1639, administrador da Capela instituída por seu trisavô João de Andrade, e foi casado com D. MARIA DA FONSECA E MATOS, natural de então Vila de Touro, actualmente no concelho do Sabugal (filha do capitão-mor Gaspar Simões de Proença e de D. Joana da Fonseca).
  Esta união matrimonial ligou a família Monteiro da Cunha à Casa da Graciosa (dos marqueses da Graciosa) em Idanha-a-Nova[33], daqui resultando a união dos apelidos CUNHA e MONTEIRO que figuram na pedra de armas da Covilhã, que poderá ser atribuída ao seu filho.
Filho:
3.      FRANCISCO MONTEIRO DA CUNHA DE SOUSA E SANDE (n. 1696?), que segue.

3.          FRANCISCO MONTEIRO DA CUNHA DE SOUSA E SANDE (n. 1696?), nascido por volta de 1696 em Idanha-a-Velha, era senhor das casas de um dos prazos dos Monteiro Leiria da Trindade, em Lisboa, no ano de 1724. Foi familiar do Santo Ofício, em cujo processo consta que morou na Covilhã e era «homem nobre e muito rico, que sabia ler e escrever, solteiro, e que vivia das sua fazendas».
Lisboa, Quinta das Ameias
(foto antiga).
Sucedeu na posse da abastada casa de seus pais e avós e terá sido ele detentor do brasão dos MONTEIRO DA CUNHA que se encontra no muro da casa da rua 6 de Setembro, na Covilhã.
      Casou em 1716 na freguesia dos Anjos em Lisboa com D. ARCÂNGELA MARIA JOSEFA ENGRÁCIA DE SAMPAIO E CASTRO (n. 1701), senhora da Quinta das Ameias, sita no Casal Vistoso ao Areeiro, em Lisboa[34], cidade onde nasceu e foi baptizada a 16-IV-1701 na freguesia de Nossa Senhora dos Anjos por seu tio-avô o Dr. Manuel Resende Botelho, prior da vila de Atalaia e comissário do Santo Ofício, tendo falecido a 1-XI-1755 vitimada pelo terramoto de 1755.
Sua mulher era filha única e herdeira de ANTÓNIO LUÍS DE SAMPAIO, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo (18-VII-1708), e de sua mulher HELENA MADALENA DE CASTRO LEMOS E ABREU (n. 1683), natural d freguesia de Santo André de Lisboa.          
Filhos:
4.1.    ANTÓNIO JOSÉ MONTEIRO DE CASTRO TELES DE EÇA DA CUNHA E SOUSA (1695-1802), que segue no § 2 – Quinta das Ameias, em Lisboa (Monteiro da Cunha, Torres Aboim).
4.2.   D. GERARDA MARIA INÁCIA XAVIER MONTEIRO DE SAMPAIO E CASTRO (c. 1743), que segue no § 3 – Quinta de Santa Bárbara de Talaíde, Barcarena (Monteiro Bandeira).
4.3.  MARIA CATARINA JOANA MONTEIRO DE SOUSA E CASTRO que foi casada com FRANCISCO HOMEM DE MAGALHÃES, almoxarife das Jugadas de Santarém[35], juiz dos Direitos Reais, e guarda-mor da Saúde da citada cidade, familiar do Santo Ofício (13-I-1739), filho de Tomás Homem de Magalhães, familiar do Santo Ofício, e de sua mulher D. Violante Teresa do Quental e Gama. S.m.n.
4.4.    FRANCISCO JOSÉ MONTEIRO DE CASTRO DE EÇA E CUNHA (c. 1766), que sabemos ter vivido em 1800 em Paranaguá, Estado do Paraná, no Brasil. Era Sargento-mor de Infantaria no Rio de Janeiro e foi destacado para estruturar a força militar do Paraná a 5-IX-1767 por ordem de D. Luís António de Sousa Botelho Mourão (1722-1798), Morgado de Mateus, governador militar da Capitania de São Paulo. S.m.n.
4.5.    CARLOS MONTEIRO DE SOUSA DE CASTRO E CUNHA (n. 1734), que nasceu a 22-XI-1734 e foi baptizado a I-XII-1734 na freguesia dos Anjos em Lisboa, apadrinhado por António Luís de Sampaio.
4.6.    JOSÉ VALERIANO (n. 1736), nascido a 16-XI-1736 e baptizado a 24 na freguesia dos Anjos em Lisboa, apadrinhado pelo desembargador António de Sampaio Cogominho.
4.7.    ROSA, que foi religiosa nas Capuchas de Santarém.

§ 2
Quinta das Ameias, em Lisboa.
(Monteiro da Cunha, Torres Aboim)
4.     ANTÓNIO JOSÉ MONTEIRO DE CASTRO TELES DE EÇA DA CUNHA E SOUSA (1695-1802), filho de Francisco Monteiro da Cunha e Sande (n. 1695), nasceu em 1695 na freguesia de Nossa Senhora da Conceição em Idanha-a-Velha, no concelho de Idanha-a-Nova, e de sua mulher D. Arcângela Maria Josefa Engrácia de Sampaio e Castro (n. 1701), senhora da Quinta das Ameias, em Lisboa.
         Faleceu com testamento feito a 30-XII-1800 e aberto a 1-VI-1802.
Lisboa, antiga Quinta das Ameias (ao Areeiro).
  Foi senhor da Quinta das Ameias na qual viveu, junto à actual Praça do Areeiro em Lisboa, «que era vínculo instituído por D. Isabel de Castro» em 1563. Foi ainda administrador de um morgado na Covilhão Morgado de São Gonçalo, da família Eça Teles, com cabeça na Capela na Igreja de São Pedro da Covilhã que foi de João Homem de Eça Teles (1606-1646) –, e ainda do morgado denominado dos Velhos com Capela na Igreja do Salvador na cidade de Santarém, que viria a ser demolida na sequência do terramoto que atingiu esta cidade no ano de 1909.
      Casou duas vezes. As primeiras núpcias foram com D. ANA JOAQUINA ATAÍDE, s.m.n.
          As segundas núpcias foram celebradas a 1-X-1794 na ermida da quinta de seu sogro na freguesia de Santa Maria dos Olivais, em Lisboa, com D. LUÍSA BENVENUTA DE MELO JURZE COUCEIRO (n. 1774), baptizada a 4-IV-1714 na freguesia do Sacramento em Lisboa, filha de Matias Maria José de Matos e Melo Jurze (n. 1747), baptizado a 2-III-1747 nos Olivais, casado a 7-VI-1773 na freguesia das Mercês em Lisboa com sua mulher e prima co-irmã D. Rita Caetana de Matos Couceiro, a qual era filha de Francisco Xavier Couceiro e de Francisca Antónia de Matos
Filha do 2.º casamento:
5.     D. ARCÂNGELA ENGRÁCIA DE CASTRO TELES DE EÇA MONTEIRO E CUNHA (n. 1796), que segue.

5.       D. ARCÂNGELA ENGRÁCIA DE CASTRO TELES DE EÇA MONTEIRO E CUNHA (n. 1796) nasceu a 16-IV-1796 na citada Quinta das Ameias em Lisboa, na qual foi baptizada 19-V-1796 na respectiva Ermida de São João Baptista.
         Casou a 27-X-1810 na freguesia de São Jorge de Arroios, em Lisboa, com MANUEL JOSÉ PEREIRA, natural da freguesia da Sé de Elvas, filho de Francisco Rodrigues Pereira e de D. Teodora Maria.
Filha.
6.      D. JOSEFINA ARCÂNGELA PEREIRA DE CASTRO TELES DE EÇA MONTEIRO E CUNHA (n. 1822), que segue.

6.      D. JOSEFINA ARCÂNGELA PEREIRA DE CASTRO TELES DE EÇA MONTEIRO E CUNHA (n. 1822), que nasceu a 24-X-1822 e foi baptizada a 17-I-1823 na freguesia de Nossa Senhora do Socorro, em Lisboa.
   Óbidos, Casa Torre dos Manuel Aboim
(Casa dos Manuéis)
       Casou com JOÃO BAPTISTA MOREIRA FREIRE CORREIA MANUEL TORRES DE ABOIM (f. 1890), nascido na freguesia de São Lourenço, em Lisboa, filho de Jacinto Pimentel Moreira Freire e de sua mulher D. Maria Correia Torres Manuel de Aboim. Seu marido era irmão de José Maria Correia Freire Manuel de Aboim (1826-1901), 1.º Visconde de Vila Boim. 
Lisboa, Palácio Aboim.
A família ABOIM teve origem em Óbidos onde durante seis séculos administrou a rica Capela de São Lourenço que foi instituída em 23-X-1319 na igreja de Santa Maria por Rui Nunes de Aboim (1255?-1333?), e aí foram alcaides-mores, capitães-mores e monteiros-mores. Um ramo desta família passou a Lisboa e, no 3.º quartel do século XVIII aí edificou o Palácio Aboim junto Largo do Martim Moniz.
         Tiveram:
7.1.    D. ARCÂNGELA, casada com JOAQUIM GERMANO
         JORGE, oficial da Alfândega de Lisboa. S.m.n.
7.2.  FRANCISCO MOREIRA FREIRE CORREIA MANUEL TORRES DE ABOIM (n. 1854), 1.º Visconde de Idanha (Decreto de 7-VI-1894), nascido na freguesia de São Cristóvão e São Lourenço a 6-XII-1854. 
   Francisco M. F. C. M. T. Aboim (n. 1854),
1.º Visconde de Idanha.
Foi moço fidalgo da Casa Real, comendador da Ordem de Isabel a Católica (Espanha), presidente da Câmara (1993-97) e administrador do concelho de Sintra (1908), deputado da Nação por este círculo (1896-97), membro da Sociedade de Geografia de Lisboa (1886) e da Academia Indo-Chinesa de Paris. 
Era proprietário em Idanha, concelho de Sintra, onde tinha um palácio junto à freguesia de Belas.
          Casou três vezes.
O 1.º casamento foi com D. MARIA JOSÉ DA SILVA REGO (1858-1888), da qual teve 2 filhos; o 2.º casamento foi com D. MARIA VIDIGAL PERDIGÃO DE CARVALHO, da qual não teve geração; o 3.º casamento foi celebrado a 7-IX-1895 em Belas, Sintra, com D. ANA JOSEFA AMÉLIA ALVAREZ DE LA FUENTE DE TORRALBA Y BAYGORRI (n. 1873), natural de Madrid, da qual teve quatro filhos. 
Ao todo teve 6 filhos, alguns deles com geração que chegou aos nossos dias.
Filho primogénito do 1.º casamento:
8.1.   RAUL REGO CORREIA FREIRE MANUEL TORRES DE ABOIM (1882-1940), 2.º Visconde de Idanha, nascido a 28-VII-1882 e falecido a 29-IX-1940. Poeta, escritor, e grande amador de arte, casou com D. SARA BORGES DE ALMEIDA, filha de José Borges de Almeida e de sua mulher D. Virgínia do Amparo Ferreira. Tiveram geração.
7.3.    D. MARIA DA LUZ MOREIRA FREIRE CORREIA MANUEL DE ABOIM (f. 1939), casada com TEODOMIRO LEÇA DA VEIGA. Tiveram 2 filhas com geração que chegou aos nossos dias.
7.4.    JACINTO (f. 1919).
7.5.    D. LUÍSA MOREIRA FREIRE CORREIA MANUEL TORRES DE ABOIM (1860-1948), nascida a 15-XI-1860 na freguesia de São Lourenço em Lisboa, cidade onde faleceu a 29-V-1948 na freguesia da Lapa. Casou a 5-VII-1898 em Loures com FRANCISCO DE PAULA DE AZEVEDO BORGES (f. 1938), nascido na freguesia da Sé em Lisboa e falecido a 11-IV-1938, filho de José Maria Borges, bacharel formado em Direito, natural da Sé Velha de Coimbra, casado a 20-X-1849 na Sé Velha de Coimbra com D. Emília Arcângela de Azevedo, natural de Taveiro, Coimbra. Tiveram 7 filhos, com geração, parte da qual propagou até aos nossos dias os apelidos ABOIM BORGES.
7.6.    D. MARIANA DE SANTO ANTÓNIO MOREIRA FREIRE CORREIA MANUEL TORRES DE ABOIM. Casou em 1891 com JOÃO DO CANTO E CASTRO DA SILVA ANTUNES (1831-1908), nascido a 19-V-1863 em Lisboa, filho único do general de Infantaria José Ricardo da Costa da Silva Antunes e de sua mulher D. Maria da Conceição do Canto e Castro Mascarenhas Valdez, natural de Lisboa.
          Seu marido foi almirante, ministro da Marinha, governador de Lourenço Marques e deputado da Nação. Era monárquico convicto, mas em 14-XII-1918 foi eleito presidente da República, após o assassinato de presidente Sidónio Pais (14-XII-1918) e até à eleição de António José de Almeida (5-X-1863). Tiveram geração que chegou aos nossos dias propagando os apelidos ABOIM DE CANTO E CASTRO.

§ 3
Quinta de Santa Bárbara de Talaíde, Barcarena.
(Monteiro Bandeira)
4.2.    D. GERARDA MARIA INÁCIA XAVIER MONTEIRO DE SAMPAIO E CASTRO (c. 1743), nascida na freguesia de Santa Maria, na Covilhã, e moradora na Quinta das Ameias.
Casou a 1-I-1743 na freguesia dos Anjos, em Lisboa, nas segundas núpcias de DOMINGOS PIRES BANDEIRA (1701-1761), nascido a 30-I-1701 na freguesia dos Mártires, em Lisboa, cidade onde faleceu a 31-III-1761, administrador do morgado de Santa Bárbara de Talaide, familiar do Santo Ofício[36], escrivão da Real Câmara e do despacho ordinário da Mesa da Consciência e Ordens (22-VIII-1738)[37], assim como gentil-homem da Casa do Cardeal da Cunha, e cavaleiro professo na Ordem de Cristo.
Seu marido era um dos oito filhos de Domingos Pires Bandeira (1670-1755), baptizado a 22-XII-1670 na freguesia de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo, que veio muito novo para Lisboa onde enriqueceu no comércio, tendo falecido a 18-XI-1755 na sua quinta de Santa Bárbara de Talaíde, freguesia de Barcarena, o qual foi familiar do Santo Ofício (Carta de 6-XI-1722) e casou a 18-I-1696 na freguesia dos Mártires, em Lisboa, com D. Tomásia Maria Felizarda Diniz (n. 1672) baptizada a 25-IX-1672 na freguesia de São Julião, em Lisboa.
Filhos:        
5.1.    DOMINGOS PIRES MONTEIRO BANDEIRA (1747-1806), que nasceu a 22-II-1747 no palácio do
         Salitre (Alto do Salitre) e foi baptizado na paróquia de Santa Justa em Lisboa. 
         Foi fidalgo cavaleiro da Casa Real (Alvará de 26-III-1778)[38], do Conselho de Sua Majestade, 
         assim como comendador da Ordem de Santiago e cavaleiro professo da Ordem de Cristo 
         (Carta de 11-X-1769).
         Frequentou a Universidade de Paris onde se formou em Leis, tendo sido desembargador da
         Casa da Suplicação. Era coleccionador de obras de arte e foi poeta académico e amigo de
         Nicolau Tolentino, Filinto Elísio, e de Bocage.
         A 23-VI-1801 testemunhou a instituição do riquíssimo vínculo do Farrobo por Joaquim Pedro
         Quintela (1748-1817), 1.º Barão de Quintela, do qual era aparentado.
Por falecimento de seu pai a 31-III-1761, sucedeu-lhe no morgadio de Santa Bárbara de Talaíde em Barcarena, e foi ainda senhor da Quinta do Pilar em Aveiras de Baixo (actual Coudelaria Dr. Henrique Abecassis), Azambuja, assim como o prazo da Quinta de Santo António dos Gorizos em São Bartolomeu da Charneca – extra-muros da cidade de Lisboa –, ao qual foi anexado as quintas da Godinha e da Gança. Por morte de sua mãe herdou várias propriedades e foros na Covilhã e no Fundão.
Fez o seu testamento a 8-X-1781 «por estar próximo a partir para o Reino de França a curar-se de moléstia crónica ...».
Faleceu a 29-VII-1806, solteiro, sem geração, na sua casa situada na esquina Travessa da Água da Flor com a Rua da Atalaia, ao Bairro Alto em Lisboa, na freguesia da Encarnação, tendo recebido sepultura no extinto Convento de São Domingos.
5.2.  FRANCISCO GREGÓRIO PIRES MONTEIRO BANDEIRA (1751-1811), nascido a 4-I-1751, fidalgo cavaleiro da Casa Real, foi herdeiro de toda a casa do seu irmão primogénito, da qual constavam os vínculos e prazos de Gorizos, Talaíde, Azambuja, Covilhã e Fundão, assim como as casas da sua residência no Alto do Salitre, em Lisboa.
Nasceu a 4-I-1751 na freguesia de Santa Justa em Lisboa. Foi bacharel em Cânones, e começou por ser juiz de Fora da Golegã (1775).
Passou ao Brasil, mais precisamente à então Vila Rica – a actual Ouro Preto, em Minas Gerais – devido à sua nomeação para Intendente do Ouro a 11-X-1775, cargo que ocuparia por mais de uma década pois nele foi reconduzido a 27-II-1788. Sabe-se que também foi Intendente da Casa da Fundição e Procurador da Fazenda Real na Capitania de Minas Gerais (1785).
Regressado a Portugal, aqui vai ocupar vários cargos de relevo tais como o de desembargador da Relação do Porto (16-II-1792), desembargador da Casa da Suplicação (18-I-1802), corregedor do Cível da Corte (28-V-1804), escrivão da Real Câmara de Sua Majestade, deputado da Mesa da Consciência e Ordens (8-VII-1807), e mestre-de-cerimónias das Ordens Militares, entre vários outros. 
Morreu solteiro e sem geração a 2-X-1812 na freguesia de São Mamede em Lisboa, tendo recebido sepultura no Capítulo do Convento de São Domingos de Lisboa. Fez testamento em 22-IX-1811, no qual deixou todos seus bens a seu sobrinho DOMINGOS PIRES MONTEIRO BANDEIRA (n. 1782), filho de seu irmão Pio Marciano Pires Monteiro Bandeira (n. 1782)[39].
5.3.    PIO MARCIANO PIRES MONTEIRO BANDEIRA (1755-1801), nascido a 5-V-1755 na freguesia da Pena em Lisboa, e falecido a 3-IV-1801 na freguesia de Santa Maria de Lagos onde foi sepultado na Capela de Santo António[40]. Foi cavaleiro da Ordem de Avis (11-XII-1790)[41], tomando o Hábito na Igreja Matriz de Lagos. Seguiu a carreira das armas na qual atingiu a patente de Major e foi sargento-mor do Segundo Regimento de Infantaria de Lagos.
Casou a 10-VI-1781 na Igreja Paroquial da Colegiada de São Sebastião de Lagos com D. ISABEL ANTÓNIA CORREIA DE MELO (c. 1781-1841), daí natural e aí falecida a 10-VI-1781 tendo recebido sepultura no cemitério de Santa Maria.
Sua mulher era filha de José de Melo da Cunha, natural de Lagos, casado a 24-X-1757 na Igreja de São Sebastião de Lagos com sua mulher D. Maria Leonor Correia de Freitas da Silveira da Costa Pimentel, natural da vila de Mourão, no distrito de Évora.
Tiveram 6 filhos:
6.1.  DOMINGOS PIRES MONTEIRO BANDEIRA (1782-1841), que nasceu a 7-V-1782 na freguesia de São Sebastião de Lagos, onde foi baptizado, apadrinhado por José de Melo da Cunha e pela marquesa de Angeja. Veio a falecer a 14-III-1841 na Carreira dos Cavalos (actual Rua de Gomes Freire)[42], em Lisboa, vitima de hidropisia.
Sucedeu nos ofícios, casas, vínculos e prazos – de Gorizos, Talaíde, Azambuja, Covilhã e Fundão – que foram do seu tio o desembargador Francisco Gregório Pires Monteiro Bandeira (1751-1811).
      Foi fidalgo da Casa Real, cavaleiro professo e comendador da Ordem de Cristo, e cavaleiro da Ordem de Avis (30-X-1821).
         Seguiu a carreira das armas e assentou praça no Regimento de Lagos (1797). Foi capitão do Regimento de Cavalaria em Castelo Branco e passou ao Brasil como capitão ajudante de ordens do governador da Capitania-Geral de São Pedro do Sul, aí sendo promovido a tenente-coronel (12-X-1812).
Em 1815 terá retornado a Portugal onde não ocupou mais cargos militares e, posteriormente, veio a tomar partido pela causa liberal durante o reinado de D. Miguel (1828-1834), pelo que foi preso 6-XI-1831 em Lisboa, juntamente como os seus filhos DIOGO e DOMINGOS, com 19 e 16 anos de idade e ainda estudantes, todos sucessivamente encaminhados para prisão do Forte de São Julião da Barra (31-V-1832) e de Elvas (25-VI-1832), assim como para o Castelo de Estremoz (1834).
Em Fevereiro de 1833, ainda preso, pôs à venda as suas casas da Rua do Salitre[43], após o que, estando detido no Castelo de Estremoz, já no estertor da Guerra Civil que se agudizou, talvez doente ou temendo pela sua vida, aí dita o seu testamento a 6-II-1834. Nele declara deixar todos os prazos para sua mulher, nos quais se incluíam as quintas de Santo António dos Gorizos da Portela, as da Gança e da Godinha, bem como os de Talaíde, em Oeiras, e os prazos de Lisboa e das vilas da Covilhã e Fundão (estas de localização desconhecida). Por morte da sua mulher todo este imenso património devia ficar para os filhos (que eram 12), em partes iguais.
Tendo sobrevivido ao cárcere e à Guerra Civil, entretanto terminada (26-V-1834), vai ocupar o cargo de governador do Castelo de São Jorge em Lisboa (1836) e de 2.º Comandante do Real Colégio Militar.
Casou a 15-IX-1810 na freguesia de Nossa Senhora da Madre de Deus em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no Brasil, com D. MARIA JOSEFA DE AZEVEDO PINTO BANDEIRA (1795-1865), nascida a 8-IV-1795 na freguesia de Nossa senhora da Conceição de Viamão em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Brasil, e falecida a 26-XI-1865 na Rua da Arrábida, freguesia de Santa Isabel, em Lisboa. Esta era filha do brigadeiro Rafael Pinto Bandeira (1740-1795), cavaleiro da Ordem de Cristo, governador militar do Rio Grande do Sul, Brasil, e de sua segunda mulher D. Josefa Eulália de Azevedo e Sousa, natural da colónia do Sacramento (no actual Uruguai).
       Do seu casamento nasceram 12 filhos, no Brasil e em Portugal, alguns deles com geração até aos nossos dias, a qual se ligou matrimonialmente às ilustres casas dos viscondes de Ponte da Barca (casado com a filha D. Maria Leonor Pires Monteiro Bandeira), viscondes de Vila Nova de Gaia, condes de Rio Maior e marqueses de Pombal, entre outras.
6.2.    D. MARIA GERARDA BANDEIRA (1784-1867), nascida a 10-XI-1784 em São Sebastião de Lagos, cidade onde veio a falecer a 15-IV-1867 na sua casa na Rua de Santa Bárbara. Solteira, sem geração.
6.3.    CUSTÓDIO (n. 1788), primeiro deste nome, que nasceu a 14-I-1788 em Lagos onde foi baptizado um mês depois na Igreja de Santa Maria. Faleceu criança.
6.4.    CUSTÓDIO PIRES MONTEIRO BANDEIRA (17901869), nascido a 3-III-1790 na freguesia de Santa Maria de Lagos e baptizado a 14 de Março por seu tio o padre António Correia de Melo, apadrinhado pelo capitão-mor Henrique Pereira da Cunha e Azevedo Corte Real. Foi cavaleiro professo da Ordem de Cristo e cavaleiro da Ordem de Avis e da Torre-e-Espada, tendo sido condecorado com a medalha das campanhas de Montevideu. Faleceu a 30-XII.1869 em Estômbar com a patente de Coronel reformado.
Foi oficial da Arma de Cavalaria, atingindo o patente de coronel no Batalhão Nacional de Lagos, assim como comandante do Batalhão Móvel e da Guarda Nacional da citada cidade, ao serviço da causa liberal no Algarve. Perseguido pelos miguelistas (XI-1828), conseguiu escapar à prisão e veio a comandar várias sortidas anti-miguelistas contra a guerrilha de José Joaquim de Sousa Reis (1797-1838) «o Remexido», que espalhou o terror por todo o Algarve até ser fuzilado a 2-VIII-1838 em Faro.
Ao longo da sua vida «Custódio Pires deu tantas provas de bravura, tratava tão lhanamente toda a gente, que se tornou estimado e respeitadíssimo»[44].
Casou com D. ANA PAULA DE FIGUEIREDO MASCARENHAS (1802-1884), nascida em 1802 e falecida a 25-XII-1884 em Estômbar, filha primogénita e herdeira de Antão Inácio de Figueiredo Mascarenhas da Franca (n. 1774) casado com sua e prima D. Maria Ana Mascarenhas de Mendonça Manuel que era proprietária em Alcantarilha.
Sua mulher era administradora de dois vínculos em Estômbar e Boliqueime que eram de seu pai e de sua avó paterna, os quais, por falta de descendência deste casamento passaram para a sua irmã D. Maria José Mascarenhas de Mendonça Manuel que foi casada com João José Antunes Mascarenhas Gaivão, grande combatente da causa liberal
6.5.    GERARDA MARIA DE MELO BANDEIRA (1792-1869), proprietária, nascida a 3-VII-1792 na freguesia de Santa Maria de Lagos, e aí falecida na sua casa na Rua de Santa Bárbara a 14-XI-1869. Solteira.
6.6.    ARCÂNGELA BONIFÁCIA DE MELO BANDEIRA (1796-1870), proprietária, nascida a 15-III-1796 na freguesia de Santa Maria de Lagos, e falecida a 14-XI-1869 na sua casa na Rua de Santa Bárbara a. Solteira.

5.4.    CUSTÓDIO PIRES MONTEIRO BANDEIRA, tenente-coronel de Infantaria, cavaleiro da Ordem de Cristo. Faleceu sem geração.
5.5.    D. SEBASTIANA BÁRBARA PIRES MONTEIRO BANDEIRA DE CASTRO E EÇA, nascida na freguesia da Pena em Lisboa. Casou a 12-XI-1768 na Igreja de São Nicolau em Lisboa com MIGUEL DE ABREU COUCEIRO E AZEVEDO, licenciado em Cânones, familiar do Santo Ofício, cavaleiro professo da Ordem de Cristo (10-XII-1760)[45], senhor da quinta e morgado dos Poiais Vermelhos, aos Olivais em Lisboa, onde nasceu, filho de Francisco Lopes de Azevedo, familiar do Santo Ofício e cavaleiro professo da Ordem de Cristo, casado com D. Luísa Maria de Abreu Couceiro. Deste casamento nasceram duas filhas, casadas, cuja geração desconhecemos.
5.6.    TERESA (n. 1752), que nasceu a 2-II-1752 e foi baptizada na freguesia da Pena a 27-II, apadrinhada por José Rodrigues Bandeira.
5.7.    D. ARCÂNGELA BONIFÁCIA MONTEIRO BANDEIRA, nascida em São Bartolomeu da Charneca. Casou a 20-III-1779 na Igreja de Santa Justa em Lisboa com FRANCISCO BACIGA LUPO, natural da freguesia de São Julião, filho de João Francisco Baciga Lupo e de sua mulher D. Joana Baciga Lupo. Sem geração.

_______

Notas:

[1]     Foi-nos solicitada a decifração destas armas e do seu destinatário, pedido ao qual acedemos de bom grado pela
       curiosidade que  temos em reencontrar a memória perdida de algumas antigas famílias que se notabilizaram nesta região.
[2]     A Rua 6 de Setembro (de 1891) consagra na toponímia da cidade a chegada do primeiro comboio à Covilhã.
[3]     «Genealogias», Diogo de Paiva e Pona. In. http://genealogias.info/1/
[4]   Foram proprietários de algumas das principais fábricas têxteis da Covilhã que, ao longo do tempo, teveram várias designações e composições societárias. Foi na sequência do um casamento de um ALÇADA DE PAIVA com uma senhora da família MOUZACO que a «Fábrica Alçada» se passou a designar «Alçada & Mouzaco»» (1878) e registou um apreciável desenvolvimento, tendo vindo a ser distinguida com uma medalha de Prata de Prata na Exposição Mundial de Paris (1889), após o que passou a designar-se «Alçada & Filho», obtendo uma medalha de Ouro na secção de tecidos de lã na Exposição Universal de St. Louis – Estados Unidos (1904). Posteriormente, em 1947, na sequência de um litígio judicial sobre a posse da firma e da fábrica entre os herdeiros de D. Rita Mouzaco Alçada, passaram a ser reconhecidos como proprietários o Dr. Aníbal e suas irmãs que foram D. Maria Carolina Mouzaco Alçada da Costa Arnaut e D. Maria Beatriz Alçada Guimarães. Em 1964 o Dr. Aníbal tornou-se o único proprietário da empresa agora designada «Aníbal Mouzaco Alçada» e entregou a sua gestão a terceiros, tendo a mesma cessado a sua actividade em 1967-1968.
[5]    Em Setembro de 1913, a Capela do Morgado de São Gonçalo, sita na Igreja de São Pedro da Covilhã, pertencia Ana de Gusmão de Macedo Pereira Forjaz, certamente por herança do seu marido que foi José Navarro de Paiva Pereira de Andrade (n. 1844), nascido a 8-IX-1844 no Fundão. Esta senhora, aquando da demolição da Igreja de São Pedro, requereu a posse do recheio da Capela de São Gonçalo «por aquela igreja estar para ser demolida», pretensão esta que lhe foi deferida a 13-IX-1813 e publicada no Diário do Governo (n.º 218, 17-IX-1913, p. 3522).
[6]   O Convento de São Francisco da Covilhã serviu de sepultura a vários elementos desta família. Depois de várias vicissitudes, acabou por desaparecer totalmente no incêndio de 1851 dele apenas restando a Igreja consagrada à Imaculada Conceição de Maria que resultou da reconstrução da igreja anterior do citado convento, da qual se aproveitou o portal axial gótico, assim como uma parte da capela-mor que acolhe os túmulos dos Castros e dos Cabrais.
[7]     Segundo notas de Frederico Carvalho dos Santos, dadas a conhecer por Diogo de Paiva e Pona.
[8]     ANTT, Chancelaria de D. Afonso VI, L. 21, f. 3.         
[9]    Em diversas relações genealógicas o seu nome também aparece como Francisco Leitão Monteiro, provindo o Leitão de antepassados seus.
[10]   António Monteiro de Leiria (f. 1639) era filho de João Monteiro Leiria, e neto paterno do Dr. Pedro Monteiro Leitão casado nas primeiras núpcias de sua mulher D. Margarida de Leiria (c.1560-1636), senhora do prazo do Campo da Trindade (ao Bairro Alto) em Lisboa e da capela de Afonso Fialho na Igreja de São Francisco em Lisboa.
[11]    O Dr. Francisco Monteiro Leiria (c. 1590), noutros documentos também aparece nomeado por Francisco Leitão Monteiro ou por Francisco de Leiria Monteiro.     
[12]    PEDRO MONTEIRO LEITAO (ou LEITÃO MONTEIRO) era filho de João Monteiro Leitão e de sua mulher D. Catarina Velho de Almeida.
[13]    D. MARGARIDA DE LEIRIA (c.1560-1636), após a morte do seu primeiro marido, voltou a casar em segundas núpcias com Luís Silvestre do qual não teve filhos.
[14]    Nos diversos documentos desta família o «terreno das casas da Trindade» que viria a dar origem a dois prazos, ficava situado junto ao desaparecido convento do mesmo nome em Lisboa, também aparece mencionado como «campo da Trindade» e «Travessa da Trindade».
[15]    D. FELÍCIA MONTEIRO (c. 1530) era filha de Nuno de Morim (c. 1490) e de Helena Monteiro (c. 1495).
[16]    A citada Igreja de São Francisco pertenceu ao desaparecido e gigantesco convento de São Francisco, ao Chiado, sobre cujas ruínas se instalou posteriormente a Academia Real de Belas-Artes (actual Faculdade de Belas-Artes), a Galeria Nacional de Pintura (actual Museu do Chiado) e o Governo Civil de Lisboa.
[17]    Em 1853 esta Capela era administrada por Arcângela Engrácia de Castro Teles Essa Monteiro e Cunha.
[18]   A passagem do morgado dos MONTEIRO LEIRIA à posse do Dr. Francisco de Leiria Monteiro (c. 1590), deu-se por sentença, datada do ano de 1639, da autoria do licenciado João Pimenta Rebelo que foi Juiz dos Órfãos da Repartição do Bairro Alto em Lisboa.
[19]    A antiga Igreja de São Pedro da Covilhã situava-se perto da Misericórdia e da Judiaria e foi demolida em 1913, vítima da sanha republicana contra a igreja católica, por esta se encontrar precisada de obras. Os fundadores deste vinculo, na ausência de filhos, nomearam para 1.º administrador João Homem de Eça Teles (1606-1646), seu sobrinho.
[20]   As principais testemunhas ouvidas nesta justificação, foram: 1. - o licenciado Fernando Gramacho de Albuquerque, prior de Valhelhas; 2. - Belchior da Costa, cavaleiro-fidalgo; 3. - Luís de Campos, cavaleiro-fidalgo; 4. - Filipa Gomes, viúva; 5. - o licenciado Francisco Saraiva Bulhão; 6.- António Gomes, prior da Igreja de Santa Marinha (todos naturais da Covilhã); assim como 7. – Diogo Gonçalves Homem, e 8 – António Gonçalves Homem, ambos naturais da freguesia do Teixoso.
[21]    Maria Teles de Eça (ou de Eça Teles) teve várias homónimas.
[22]   Segundo uma antiga monografia manuscrita da Covilhã, apresentada à Academia Real das Ciências de Lisboa, da autoria do Dr. João de Macedo Pereira Forjaz, citado por Gusmão Navarro.
[23]    Artur de Moura Quintela, Subsídios para a Monografia da Covilhã (Covilhã: 1899), p. 135.
[24]   Neste vínculo veio a suceder no século XIX a família Macedo Feio Castelo Branco. A capelo foi restaurada e acrescentada de dois altares em 1728.
[25]    O título nobiliárquico de Duque de Valência de Campos foi criado por D. João I de Castela e Leão (1358-1390) no ano de 1387 a favor do infante D. João de Portugal.
[26]   O casamento «a furto» seria um casamento a contra-gosto dos pais, ou mesmo contra a vontade destes. D. MARIA TELES DE MENESES (c. 1338) era irmã da rainha D. Leonor de Teles (c. 1350) que foi casada com o rei português D. Fernando I (1345-1383).
[27]    Nobiliário, (Braga, Carvalhos de Basto: 1992), vol. V, tít. «Eças», § 1, pp. 35-36.
[28]    «Sobre as filhas» – de D. Fernando de Portugal, Senhor de Eça – «que foram religiosas, Braamcamp Freire escreve: «foi característico o porte desregrado das senhoras das primeiras gerações dos Eças, e bem revelador do atavismo, ou melhor, da hereditariedade, a que se mostraram sujeitas”. E continua: “D. Beatriz, abadessa de Celas, teve filhos do bispo D. João de Abreu; D. Catarina de Eça, irmã de D. Beatriz e famosa abadessa de Lorvão, foi amante de Pero Gomes de Abreu, senhor de Regalados e sobrinho neto do bispo; D. Joana de Eça, abadessa de Celas e filha de João Rodrigues de Azevedo e de D. Branca de Eça, irmã das outras duas abadessas, teve amores com Vasco Gomes de Abreu, poeta do Cancioneiro e sobrinho do bispo D. João e finalmente, D. Filipa de Eça, abadessa de Val de Madeiros e depois do Lorvão, filha de D. Pedro de Eça, irmão das primeiras Abadessas, foi amante do irmão de Vasco, o nosso João Gomes de Abreu das trovas” (BSS-vol. I - pg. 98). A terminar, acrescenta que em carta do rei D. João III datada de 31-8-1543 para o embaixador de Por­tu­gal junto do Papa, o rei pede ajuda para combater o comportamento dissoluto das Eças no mosteiro de Lor­vão.» E afinal qual era o atavismo hereditário a que se refere Braancamp Freire? Qual a razão para estas mulheres de Deus terem assim como que… um fogo no corpo! É isso!, um fogo no corpo!…Tenho a certeza que ninguém terá qualquer dificuldade em decifrar a linguagem setecentista (talvez…) do documento, mas este naco é eloquente: «Senhor de Eça. Criado ao desamparo, sem pai, nem mãe, nem quem por ele realmente se interessasse, saiu um devasso acabado. O seu fraco era casar e, com o maior desassombro o fazia, chegando ao ponto de ter às vezes três e quatro mulheres vivas. Então filhos, isso era um nunca mais acabar. Quarenta e dois lhe assinam os nobiliários! (BSS - vol. I - pg. 87)
Casou, pelo menos, seis vezes, mas apenas se conhece o nome de uma das mulheres: Isabel de Ava­los (Ávila).“…foi casado com muitas mulheres todas vivas, devia ter boa Consciência, ou seguir o Alcorão, em que se permitem muitas mulheres…” (NFP - vol. V - pg. 35)».
Faleceu no castelo de Eça, sendo transladado para o convento do Espí­rito Santo de Gouveia, de que era padroeiro, onde seu corpo chegou a 25.1.1479, sendo sepultado na capela-mor em túmulo com o seu brasão de armas e o seguinte epitáfio: «Aqui jaz D. Fer­nando de Eça filho do Infante D. João neto d’El-Rei D. Pedro de Portugal, & da Infante D. Inez de Castro sua mulher; & bisneto d’El-Rei D. Afonso, o que venceu a batalha do Salado. Este D. Fernando foi padre de D. Catarina, abadessa de Lorvão, que o aqui mandou trasladar na Era do Nascimento de nosso Senhor Jesus Christo de mil & quatrocentos & setenta & nove anos, XXV dias de janeiro». (QUEIRÓS, António Eça de — Eças devassas e outras broncas históricas. In Escrever é Triste. http://www.escreveretriste.com/2013/01/ecas-devassas-e-outras-broncas-historicas/. ).
[29]    ANTT, Registo Geral de Mercês, D. Pedro II, liv. 5, f. 461.
[30]    D. Maria Teles de Eça, natural da Covilhã, foi casada com Sebastião da Costa, os quais eram bisavós de D. MARIA DE SÃO JOSÉ TELES DE EÇA (n. 1640), anteriormente citada.
[31]    In. http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/06/covilha-memoralistas-ou-monografistas-ix.html
[32]    ANTT, Registo Geral de Mercês, D. Pedro II, liv. 5, f. 282v.
[33]    Luís Bivar Guerra, A Casa da Graciosa (Braga: 1965), pp. 211-212.
[34]    A QUINTA DAS AMEIAS (ou Casal Vistoso), com a sua casa completamente arruinada, está situada no cimo de um monte actualmente confinado pela Av. Afonso Costa e a Av. Almirante Gago Coutinho, junto à Praça do Areeiro, entre enormes prédios que nas últimas décadas ocuparam esta zona. A casa foi edificada no Séc. XVII pela família ABREU e CASTRO. A quinta viria a ser terraplanada e urbanizada, deixando a casa em ruinas e completamente isolada no cimo de um pequeno monte. Através dos tempos, esta quinta aparece mencionada em vários documentos com outros nomes: Quinta da Cruz da Armada (ou de Almada), em Arroios; Quinta das Ameias aos Lagares de El-Rei; Quinta das Ameias na Cruz da Armada; a Quinta dos Anciães à Cruz das Almas, etc. Nos finais do séc. XVII esta quinta pertencia à freguesia dos Anjos.
[35]    Tributo imposto às terras lavradas.
[36]    ANTT, Tribunal do Santo Oficio, Conselho Geral, Habilitações, Domingos, mç. 24, doc. 468
[37]    ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 29, f. 375
[38]    ANTT, Registo Geral de Mercês de D. Maria I, liv. 3, f. 109.
[39]    ANTT, Registo Geral de Testamentos de Lisboa, liv. 364, f. 158.
[40]    Em Lagos houve uma rua com o nome Pio Bandeira, hoje chamada Travessa dos Quartéis.
[41]    ANTT, Registo Geral de Mercês de D. Maria I, liv.25, f. 351v.
[42]    A Carreira de Cavalos, então um arrabalde de Lisboa, era assim designada por então servir de picadeiro público onde os cavalos corriam à rédea solta até ao Campo de Santana.
[43]    Gazeta de Lisboa, 16-II-1833.
[44]    Manuel João Paulo Rocha, Monografia de Lagos (1991).
[45]    ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Miguel, Mç. 10, Doc. 7