2017-06-15

SALVADOR VILAR BRAAMCAMP SOBRAL (n.1989) - Subsídios Genealógicos


Salvador Vilar Braamcamp Sobral (n. 1989)
Vencedor do Festival Eurovisão da Canção 2017



Maria Luísa Vilar Braamcamp
Sobral (n. 1987)
Parabéns Salvador Sobral!
O teu épico feito alcançado no Festival Eurovisão da Canção (2017), contra a corrente e à revelia das receitas convencionais para o triunfo, colocou a Europa a teus pés.
Deste modo, tornaste-te património da toda uma comunidade que sente muito orgulho em ti e pretende conhecer a origem do tanto talento inato.
Certamente és – juntamente com a tua irmã Luísa Sobral – o produto de tudo o que te precedeu. A genealogia, e a genética, explicarão muito do teu sucesso.
Daí, muitos de nós já se terem interrogado sobre a tua ascendência, da qual aqui vamos dar algumas breves notas.
Tudo isto, na realidade, servindo de pretexto para mais uma incursão na genealogia de uma família bem-sucedida que contribuiu para o progresso deste país, assim como a descoberta de uma pequena parte do seu património edificado que engrandeceu a região de Lisboa.


Canção vencedora:
Amar pelos dois


Família Cruz Sobral  &  Cruz Alagoa
Condes de Sobral

A família CRUZ, com as conhecidas ramificações CRUZ SOBRAL e CRUZ ALAGOA, ficou a dever a sua ascensão social inicial à sua lucrativa actividade mercantil com as Colónias, assim como à industria e ao monopólio do tabaco.
Deste modo acabou por fazer parte da nova burguesia enriquecida no comércio por grosso sob a protecção do marquês de Pombal, o qual era um estadista muito hábil em tirar proveito das melhores aptidões dos seus servidores. Certamente, a este estadista não escapou a perseverança, honradez e inteligência prática desta família vocacionada para o sucesso.
Porém, a memória dos irmãos CRUZ quase acabou diluída no tempo, à semelhança de muitas outras famílias que então alcançaram alguma proeminência social, não fora o considerável património arquitectónico por si edificado ‒ do qual ainda subsiste algum ‒, espalhado por diversos espaços geográficos de Lisboa e arredores.
Desta nova burguesia pombalina, em ascensão social por via das suas actividades comerciais, e por consórcios matrimoniais com a velha nobreza de sangue, destacaram-se então os CALDAS, os MACHADOS, os BANDEIRAS, e os QUINTELAS; assim como outros de origem estrangeira, como foi o caso dos BRAAMCAMP (Flamengos), dos BURNAY (Belgas), dos GILDEMEESTER (Holandeses) ligados ao comércio de diamantes e edificadores do Palácio de Seteais em Sintra, dos RATTON e dos DAUPIAS (franceses), estes últimos ligados à indústria.

O primeiro CRUZ conhecido, cujos filhos alcançaram um grande sucesso social, foi o velho JOÃO FRANCISCO DA CRUZ, mestre-entalhador instruído que tinha loja aberta em Lisboa, cidade onde morava na antiga travessa do Sacramento (actual calçada do Sacramento?)[1], às desaparecidas Portas de Santa Catarina – junto à rua Garrett.
Era natural de Agualva, Belas, no concelho de Sintra, e, por influência de seu filho primogénito, o influente padre António José da Cruz que era muito bem relacionado com o futuro marquês de Pombal, viria a ser deputado da Junta da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão e escrivão do Terreiro Público, cargo para o qual foi nomeado pelo Senado da Câmara de Lisboa.
De ascendência humilde, era filho de outro João Francisco, natural de Igreja Nova, Sintra, e de sua mulher D. Brízida Francisca, natural de Agualva, Belas, concelho de Sintra.
João Francisco da Cruz casou com D. JOANA MARIA DE SOUSA, natural de Vila Franca de Xira[2].
Este casal teve seis filhos:

1.º –  Cónego ANTÓNIO JOSÉ DA CRUZ, filho primogénito, ao qual coube o papel patriarca da família que
          lhe ficou a dever a sua meteórica ascensão social.
Lisboa, Quinta Grande de Carnide
Iniciou a sua vida religiosa na Congregação de São Filipe de Néri.
A sua aproximação à família real dever-se ao facto de ter sido confessor do rei D. João V (1707-1750), função que certamente lhe deu a conhecer os muitos pecados de alcova do Rei Magnânimo, assíduo frequentador de conventos femininos, o que lhe valeu a alcunha depreciativa de “O Freirático”. Este conhecimento, embora protegido pelo segredo inviolável da confissão, provavelmente ter-lhe-á conferido alguma influência sobre o monarca, e sobre o seu filho o rei D. José I, do qual viria a obter favores para seu pai e irmãos, os quais, além de angariarem apreciáveis fortunas, também foram nobilitados.
Lisboa, Quinta Grande de Carnide
(estado actual)
Após a morte de D. João V, serviu o seu filho o rei D. José (1750-1777), junto do qual diligenciou a ascensão política de Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o futuro marquês de Pombal, estabelecendo com o poderoso ministro estreitas relações. Pombal ficou-lhe grato pelos seus bons ofícios junto do rei, tornando-se grande protector da sua família.
D. José I encarregou-o de reedificar a Basílica de Santa Maria (Sé de Lisboa) que ficou muito arruinada pelo Terramoto (1755), da qual veio a ser cónego.
Edificou para seu uso pessoal um palácio na sua Quinta Grande de Carnide (1763), o qual veio a pertencer aos seus sucessores distantes os condes de Carnide.

A QUINTA GRANDE DE CARNIDE desapareceu em grande parte na voragem da construção civil, restando pouco mais que o palácio que foi reerguido pelos condes de Carnide. 
Fica localizada entre o largo do Jogo da Bola, o largo do Malvar e rua Maria Brown, em Lisboa.

2.º –  TERESA PERPÉTUA DE JESUS, freira professa no Convento de Chelas.

3.º –  AGOSTINHA MARIA DOS PRAZERES, freira professa no Convento de Chelas.

4.º – JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ ALAGOA (1717-1768), 1.º morgado de Alagoa, em Carcavelos, de onde
        tirou o apelido ALAGOA que acrescentou ao seu nome. Esta quinta foi-lhe doada pelo rei D. José I               (Decreto de 19-I-1763), que lhe concedeu também o foro de fidalgo cavaleiro da Casa Real (Alvará de
        17-I-1763).

Carcavelos, Quinta da Alagoa
(Séc. XVIII)
A QUINTA DA ALAGOA, em Carcavelos, na qual foi instituído um vínculo (morgadio), é actualmente um vestígio da enorme propriedade de outrora, e respectiva casa senhorial, que por Carta Régia de 19-I-1759 foi confiscada pela Coroa aos jesuítas seus proprietários desde o início do século XVII. Nela terá vivido, de passagem, o célebre Padre António Vieira entre 1641 e 1653, pois, há cartas dele que foram daí escritas. A sua designação foi tirada de uma edílica lagoa natural nela existente, fruto da presença de um misterioso caudal subterrâneo.
Era um enorme domínio, cuja grane extensão englobava a Alagoa de Cima, Quinta das Vacas, Casais do Zambujal, Tires, Quinta do Junqueiro e a de Sto. António ou Quinta Nova (mais tarde Quinta dos Ingleses). Em 1863, o morgado de Alagoa pertencia a José Francisco da Cruz Alagoa, o 3.º morgado e seu último detentor devido à lei que extinguia os morgadios. Uma década depois, está na posse do filho de José Alagoa, o qual vendeu grande parte dela a Jerónimo José Moreira, natural de S. Domingos de Rana.
Actualmente, dela apenas restam ruínas, pois sucumbiu sob a selvática pressão urbanística que se mostra incapaz de conviver civilizadamente com o património histórico.
         
Armas de
Alagoa/Sobral
Obteve Carta de Brasão de Armas, mercê nova (25-III-1765), de ALAGOA, com o seguinte: cortado, o 1.º de azul, com cinco estrelas de seis pontas de ouro, postas em cruz; o 2.º de prata, ondado de azul; bordadura de todo o escudo de vermelho, carregada da legenda «NOMEN HONOR QUE MEIS» (Em meu nome e por minha honra) em letras de ouro; timbre: um galgo de prata, coleirado de vermelho (talvez simbolizando a fidelidade do carácter desta família), com uma chave de ouro na boca (provavelmente simbolizando o segredo que deve presidir ao negócio).  
Nasceu no ano de 1717, tendo falecido prematuramente em 16-V-1768 na sua quinta de Carnide, sem filhos.
Começou a sua vida activa na loja de seu pai e, em 1735, aos dezassete anos de idade, embarcou para a Baía (Brasil) onde trabalhou num armazém de tabaco, alcançando aí grande reputação.
Regressou a Lisboa em 1747, ainda em vida de seus pais, e foi sócio da Companhia de Vinhas do Alto Douro no âmbito da qual tomou a iniciativa da criação da Companhia do Grão-Pará e Maranhão (1755), e ainda da Companhia de Pernambuco, das quais foi vice-presidente e investidor. Foi provedor da Junta de Comércio, administrador geral das Alfândegas do Reino, tesoureiro-mor do Erário-Régio (1761), do Conselho de D. José I (Carta de 19-IX-1763), Conselheiro da Fazenda (Carta de 20-IX-1765), director da Real Fábrica das Sedas em Lisboa, e da Fabrica de Panos da Covilhã.
Ficou a dever o início da sua carreira ao empenho do seu influente irmão primogénito, o padre António José da Cruz, tornando-se íntimo do marquês de Pombal.
Segundo testemunho de Júlio Castilho,

«José Francisco deixou o seu nome vinculado a todas as empresas úteis do seu tempo, e despendeu largas somas em aliviar a pobreza de Lisboa; mas (o que é honrosíssimo para a sua memória) deixou a casa em estado pouco próspero de fortuna, porque o seu tempo era empregado nos negócios públicos, não lhe chegando para a sua própria administração».

Morou no palácio por ele edificado na então rua Direita da Fábrica das Sedas (actual rua da Escola Politécnica), em Lisboa, o qual, sem grandes ornamentações como era típico das edificações pombalinas, sofreu várias alterações que chegaram até aos nossos dias[3].

Lisboa, Palácio Cruz Alagoa, Rua da Escola Politécnica.
O PALÁCIO CRUZ ALAGOA, à actual rua da Escola Politécnica em Lisboa, foi edificado numa parcela de terreno da antiga quinta do morgado dos Soares da Cotovia[4].
Sem grande relevância arquitectóni-
ca, é um conjunto sequencial de edifícios subordinados a uma gramática decorativa muito simples, edificado após o Terramoto por JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ ALAGOA (1717-1768) entre 1757 e 1762, que aí residiu por pouco tempo, separadamente com o seu irmão mais novo ANSELMO JOSÉ DA CRUZ SOBRAL (n. 1728), o futuro 2.º morgado de Sobral de Monte Agraço.
                                  Este casarão apenas se destaca pela dimensão desmedida da sua monótona fachada princi-
                                  pal, com rés-do-chão e mais dois pisos, cada um ostentando 18 vãos de janelas, mais 11 na
                                  fachada lateral, e ainda uma capela sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, a qual,
                                  a nível do andar nobre apresenta um janelão gradeado.
Em 1770, esta opulenta casa era servida por 32 criados e 1 cozinheiro italiano andando as lojas do andar térreo alugadas para fins comerciais[5].
Entre 1788 e 1804, no seu rés-do-chão foi instalada a roda dos enjeitados que chegou a ter 40 amas e 70 expostos.
A partir de 1804, grande parte desta imensa casa, devido à litigância entre vários herdeiros, passou a prédio de rendimento e foi sucessivamente arrendada a diversas famílias proeminentes, das quais destacamos:
Em 1823 nela residia D. Diogo José Ferreira de Eça de Meneses (1772-1862), 3.º Conde da Lousã, e sua mulher D. Mariana do Resgate de Saldanha Corte Real da Câmara e Lencastre (1784-1848), regressados do Brasil em 1821 com o rei D. João VI. Foi inquilino desta casa por cerca de dez anos, devendo-se a ele o facto do pátio interior da mesma ter ficado conhecido por pátio do conde.
Entre 1824 e 1834, aí viveu D. Joaquina de Lorena e Meneses (1782-1846), filha do 5.º marquês de Marialva, então viúva do 4.º marquês do Louriçal.
Entre 1828 e 1829, uma parte da casa foi ocupada pela então viúva D. Leonor de Almeida (1750-1839), a célebre 4.ª marquesa de Alorna, 9.º condessa de Assumar, acompanhada por suas filhas Maria Frederica (1782-1847), e Henriqueta (1789-1860) que foi condessa de Oyenhausen-Gravenburg, e pela irmã do poeta Bocage D. Maria Francisca Barbosa du Bocage que vivia sob a sua dependência.
Em 1835 foi à praça, por motivo da litigância entre os herdeiros, conhecendo então, vários proprietários que o subdividira em duas propriedades, as quais tiveram um grande número de inquilinos.
Em 1853 vivia nesta casa D. António Benedito de Castro (1820-1865), 4º conde de Resende, e sua mulher D. Maria Balbina Pamplona Carneiro Rangel Veloso Barreto de Miranda e Figueiroa (1819-1890), que vieram a ser sogros do grande escritor Eça de Queiroz.
Em 1872, em parte desta casa, residiu como inquilino Lourenço Filipe Nery de Mendonça e Moura (1705-1788), 5.º conde de Vale de Reis e respectiva família com os seus 72 criados.
Um dos posteriores proprietários, de parte deste palácio, foi José Vaz Monteiro (1819-1890), natural de Pinheiro Grande, Chamusca, médico, deputado, fundador da Ganadaria José Vaz Monteiro (1840), vice-presidente Companhia das Águas Lisboa, grande proprietário em Arruda dos Vinhos[6].

José Francisco angariou um vasto património do qual aqui destacamos a quinta de Carnide (que fora do cónego seu irmão), várias quintas e casas em Carcavelos, das quais, além da já citada Quinta da Alagoa, mencionamos a Quinta da Luz e a Quinta Nova de Santo António – posteriormente designada por Quinta dos Ingleses –, em cuja casa senhorial está instalada a actual «St. Julian’s School» (1932), a qual ostenta ainda na sua fachada a pedra de armas dos ALAGOA, assim como muitas outras terras e casas em várias artérias de Lisboa, e ainda um bairro operário nas proximidades da rua da Fábrica das Sedas.

A QUINTA NOVA DE SANTO ANTÓNIO (actual Quinta dos Ingleses) era uma extensa propriedade rural que chegou a produzir 500 barris de vinho, englobando uma área que, partindo do actual centro de Carcavelos, ia até ao mar. A sua casa senhorial apresentava dois torreões laterais, com seus telhados pontiagudos, ligados à altura do rés-do-chão, por meio de uma varanda em balcão, à qual se tinha acesso por uma pequena escadaria.
Carcavelos, Qta. Nova de Sto. António (Qta. dos Ingleses)
Quinta Nova de
Santo António,
Pedra de Armas
dos ALAGOA.
Esta quinta foi amputada de apreciáveis parcelas: primeiro para a instalação da linha férrea, depois para a passagem da estrada marginal, e actualmente está reduzida a uma expressão ínfima daquilo que era, por via da selvática construção civil promovida pela Câmara Municipal de Cascais, sua actual proprietária.
Carcavelos, Nova Qta. Nova 
de Sto. António (pormenor)
Em 1870 foi adquirida pela companhia "Eastern Telegraph Company" (Companhia do Cabo Submarino Inglês), que aqui amarrou 7 cabos: 3 para Falmouth (Inglaterra), 2 para o Brasil, 1 para Gibraltar e outro para os Açores. Esta companhia trouxe para Carcavelos uma apreciável comunidade de funcionários britânicos que davam apoio aos serviços de comunicações proporcionados pelo cabo submarino, os quais muito contribuíram para o desenvolvimento desta localidade.
A sua casa senhorial serviu para instalar a «St. Julian’s School» (1932), um estabelecimento de ensino de referência então vocacionado para o a comunidade inglesa.

Casou duas vezes: a 1.ª em 1748 com D. FRANCISCA ROSA CAETANA DE OLIVEIRA, da qual não teve geração; a 2.ª em 1754 com D. MARIA JOAQUINA DA PURIFICAÇÃO PACHECO (c. 1730), da qual teve dois filhos e duas filhas:
1.º -  JOAQUIM INÁCIO DA CRUZ ALAGOA (n. 1753), 2.º morgado de Alagoa, fidalgo da Casa Real
         (Alvará de 2-II-1763), ajudante de seu tio o tesoureiro-mor do Erário Régio.
         Casou em 1815 em Carcavelos com D. FELICIANA RITA BARBOSA (n. 1793), de quem teve um
         filho que foi JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ ALAGOA (n. 1818), 3.º morgado de Alagoa, casado,
         sem geração.
2.º -  JOSÉ ANTÓNIO DA CRUZ ALAGOA (n. 1758), freire da Ordem de Avis.
3.º -  D. … DA CRUZ ALAGOA.
4.º -  D. … DA CRUZ ALAGOA.

Joaquim Inácio da Cruz
Sobral (1725-1781),
1.º senhor de Sobral
5.º –  JOAQUIM INÁCIO DA CRUZ SOBRAL (1725-1781), 1.º senhor da Vila de
          Sobral de Monte Agraço, por mercê do rei D. José I (Carta de 18-IV-1771). 
          Aí intuiu um morgado (Alvará de 19-XII-1776), com os bens espoliados aos
          Jesuítas pela Coroa, na sanha persecutória de Pombal contra esta congre-
          gação (1759).
          A instituição deste vínculo permitia-lhe a nomeação de um sucessor do 1.º
         ou do 2.º grau de consanguinidade (o que mais tarde originou uma disputa
          judicial com um sobrinho), e obrigava ao uso do seu nome, pelo que pas-
          sou a usar o apelido SOBRAL.
          Foi nomeado alcaide-mor de Freixo de Numão (Carta de 20-II-1773). 

Armas de Sobral
Obteve Carta de Brasão de Armas, de mercê nova (Carta de 7-XII-1776), concedidas por D. José I, as quais são iguais às atribuídas ao seu já falecido irmão José Francisco da Cruz Alagoa (1717-1768), 1.º morgado de Alagoa. Referem-se ao nome SOBRAL: um escudo cortado; o 1.º de azul com 5 estrelas de ouro de 6 raios postas em cruz; o 2.º de prata, ondado de azul; bordadura de vermelho, carregada da legenda «NOMEN HONORQUE MEIS» em letras de ouro. Timbre: um galgo de prata, coleirado de vermelho, com uma chave de ouro na boca (CBA de 7-XII-1776). 

Nasceu a 27-IX-1725, e veio a falecer a 25-V-1781.
Ainda jovem passou ao Brasil chamado por seu irmão José Francisco da Cruz (1717-1768), o futuro 1.º morgado de Alagoa, com o qual trabalhou no negócio do tabaco. Retornou a Lisboa em 1765 por motivo de uma enfermidade deste seu irmão, tendo-o substituído nalguns cargos que o mesmo ocupava.
Sobral de M. A., Casa Sobral;
edificada por Joaquim Inácio.
Por falecimento deste seu irmão ocupou o cargo de Tesoureiro-Geral do Erário Régio, vindo a ser administrador da Alfandega de Lisboa (30-IV-1767), Conselheiro da Fazenda Real (20-X-1768), e fidalgo da Casa Real (Alvará de 5-I-1769).
Empenhado em beneficiar a citada vila de Sobral, aí edificou o Casa da Família Sobral, aplicando parte da sua enorme fortuna em diversas outras edificações e melhoramentos para a população local. Levantou a Casa da Câmara, a cadeia, o chafariz, a praça pública de traça pombalina, além de construir um chafariz, duas pontes, e uma estrada. Abriu minas de água para abastecimento próprio e da população, tendo concedido incentivos à criação de fábricas, política esta que prosseguia os objectivos de fomento industrial pombalino.


Sobral de M. A., praça pública
pombalina;  edificada por
 Joaquim Inácio da Cruz Sobral.
Casa da Câmara; edific.
por Joaquim Inácio.
Sobral de Monte Agraço, Chafariz;
edificado por Joaquim Inácio.





Sobral de Monte Agraço,
Inscrição lapidar sobre a porta da
 Casa da Câmara









Joaquim Inácio era, no dizer dos seus contemporâneos, afável, sério, cumpridor, e altamente esmoler[7].

Sobral de Monte Agraço,
Igreja de Nossa Senhora
da Vida; edificada por
Joaquim Inácio.
«Conta um dos seus antigos biógrafos, que tinha entre os seus papéis íntimos um livro, onde inscrevia a lista de muitas donzelas órfãs e desamparadas, viúvas miseráveis, famílias pobríssimas, comunidades religiosas mendicantes, a quem mensal ou anualmente recorria com grandiosas esmolas. "Guardava este precioso monumento no seu gabinete – narra o biógrafo – e devem conservá-lo os seus sucessores para que incite o exemplo à imitação...»[8].

A expensas suas e de seus irmãos, mandou reedificar no Sobral a Igreja de Nossa Senhora da Vida, sobre uma anterior capela que estava muito arruinada. Esta era inicialmente uma igreja privada cuja traça se ficou a dever ao arquitecto Reinado Manuel dos Santos (1731-1791), e foi posteriormente doada à paróquia por D. Adelaide Braamcamp Sobral (1808-1885), 2.ª condessa do Sobral, para ser a matriz de Sobral de Monte Agraço.
Edificou um grande palácio do Calhariz em Lisboa – Palácio Sobral – que por falta de herdeiros passou ao seu irmão Anselmo José.
Casa de Lázaro Leitão
Aranha (f. 1767),
adquirido por
Joaquim Inácio

O PALÁCIO SOBRAL (1770-80), ao Calhariz, em Lisboa, foi edificado posteriormente a 1770 por JOAQUIM INÁCIO DA CRUZ SOBRAL (1725-1781), a partir do velho casarão de Lázaro Leitão Aranha (f. 1767), principal da Sé Patriarcal[9]Nele se reunia a famosa academia literária Arcádia Lusitana em 1764. As arestas dos cunhais da fachada principal ostentavam a pedra de armas da família Cruz. 
Este palácio, tendo uma rua de permeio, confinava com PALÁCIO SOUSA CALHARIZ – PALMELA, edificado em 1703 por D. Francisco de Sousa Calhariz (1631-1711), o qual viria a ser anexado ao Palácio Sobral, ao que parece devido a um casamento entre D. Francisco de Sousa Holstein (1838-1878), 1º marquês de Sousa Holstein (um dos 15 filhos do 1.º duque de Palmela) que foi casado com D. Maria Eugénia Braamcamp de Melo Breyner (1837-1879), filha de Luís Maria de Mello Breyner (1807-1876) e de D. Adelaide Braamcamp Sobral de Almeida Castelo-Branco (1808-1885), 2ª condessa de Sobral. 
Palácio Sobral, edificado por
Joaquim Inácio da Cruz Sobral
O PALÁCIO SOUSA CALHARIZ – PALMELA estava empenhado pelo 1.º marquês de Sousa Holstein à Companhia Geral do Crédito Predial Português, que cedeu a hipoteca à Caixa Geral de Depósitos, que a executou.  
O PALÁCIO SOBRAL veio a ser adquirido pelo Estado em 1887 para instalação da antiga sede da Caixa Geral de Depósitos que de imediato o remodelou, uniformizando as duas fachadas e procedendo à sua ligação por um arco sobre a rua da Rosa (1969), uma das ruas de acesso ao Bairro Alto.
As duas casas apalaçadas desaparaceram, substituídas pelo grande casarão resultante desta última remodelação que apresenta agora duas alas, separadas por um arco sobre o citado acesso ao Bairro Alto, cada uma delas com um portal ao centro.

Sintra, Palácio da Qta. do
Ramalhão.
Joaquim Inácio casou nas primeiras núpcias de D. ANA JOAQUINA INÁCIA DA CUNHA (c. 1750-1803)[10], rica herdeira baiana que veio a ser senhora da Quinta do Ramalhão em Sintra (vendido em 1802 à rainha D. Carlota Joaquina), filha de João Dias da Cunha e de D. Maria da Encarnação Correia, cuja fortuna o ajudou no desenvolvimento dos seu comércio.
Não houve geração deste casamento, pelo que o morgadio de Sobral passou a seu irmão ANSELMO JOSÉ DA CRUZ SOBRAL (1728-1802), dando origem a uma grande demanda judicial com o sobrinho JOAQUIM INÁCIO DA CRUZ ALAGOA (n. 1753), 2.º morgado de Alagoa (filho de seu irmão José Francisco da Cruz Alagoa (1717-1768), 1.º morgado de Alagoa), o qual se julgava no direito a suceder no morgado de Sobral, por ser filho varão de irmão mais velho, como se o morgado proviesse de seus avós, e o instituidor não pudesse nomear na sua sucessão um colateral mais próximo. Esta opção estava expressa no documento da sua instituição e, devido a este facto, os tribunais deram razão a Anselmo José (sentença de 17-VIII-1787).
Pela sua morte, sem filhos, a viúva veio a casar mais duas vezes: o 2.º matrimónio foi com JOSÉ STREET DE ARRIAGA BRUM DA SILVEIRA E CUNHA (c. 1740), juiz de fora em Angra, Açores, com o qual veio a instituir o morgadio de Carnide que englobava a Quinta Grande de Carnide que fora do cónego António José da Cruz, que viria a ser dos Street de Arriaga e Cunha, condes de Carnide, seus netos; o 3.º matrimónio, após a morte do seu segundo marido, foi com RODRIGO VITORINO DE SOUSA E BRITO, tenente do regimento de Mecklemburgo, ao qual deixou os seus bens livres. 

6.º – ANSELMO JOSÉ DA CRUZ SOBRAL (n. 1728), 2.º morgado de Sobral de Monte Agraço por sucessão
          de seu irmão que, falecendo sem filhos, lho deixou em testamento.           
Foi fidalgo cavaleiro da Casa Real (Alvará de 3-VII-2779), do Conselho de D. Maria I (Carta de 16-XI-1789), conselheiro honorário da Fazenda, (22-XI-1789), inspector-geral da Obras Públicas, e contratador do Tabaco (1764-1816).
Portalegre, Real Fábrica
de Lanifícios.
Industrial e financeiro, foi-lhe entregue a exploração do Engenho do Papel da Lousã (fábrica de papel para escrever), da Real Fábrica do Rapé em Lisboa, assim como integrou o consórcio capitalista que administrou a Real Fábrica de Panos da Covilhã (1788)[11], e da Real Fábrica de Lanifícios de Portalegre (1788), esta última em sociedade com seu genro Geraldo Venceslau Braamcamp de Almeida Castelo Branco (1752-1828).
Feito fidalgo a 22-VI-1779 pela rainha D. Maria I, foi um dos beneméritos financiadores do Teatro de São Carlos (1793), tendo-se notabilizado por muitos gestos de caridade desmedida e pensões regulares que atribuía a uma legião de necessitados cuja subsistência dele dependia.
Mandou construir o Palácio da Arcada, à esquina da rua dos Ourives da Prata (actual rua da Prata) com a Rua dos Capelistas (posterior Rua do Comércio), junto ao Terreiro do Paço, no qual residiu, tendo-o passado mais tarde ao seu genro Geraldo Venceslau. 

O PALÁCIO DA ARCADA foi edificado na Baixa de Lisboa, junto ao Terreiro do Paço, após o Terramoto, por Anselmo Sobral, 2.º morgado de Sobral de Monte Agraço, que aí morava em 1791, tendo-o passado a seu genro e sócio de negócios Geraldo Venceslau Braamcamp de Almeida Castelo Branco, 1.º barão de Sobral que aí morava em 1820. 
A 3-IX-1830 sofreu um terrível incêndio que o destruiu parcialmente, tendo então sido reedificadoPor sucessão, veio a pertencer aos Barões de Almeirim (Braamcamp), que dele se desfizeram em 1889, a favor de Ernesto George, alemão, gerente da «Companhia dos Vapores Transatlânticos» e um dos fundadores do «Banco Lisboa & Açores».

Presidiu à construção da Basílica da Estrela, cuja obra concluiu antes da data aprazada, com grande agrado da rainha D. Maria I que lhe deu uma comenda de Cristo.
Lisboa, Palácio Calhariz.
Com os materiais que sobraram desta obra, os quais lhe foram dados pela rainha, edificou um enorme quarteirão para rendimento ao Chiado, entre as actuais Rua Nova do Almada, Calçada Nova de São Francisco e Rua Ivens.
Herdou de seu irmão o palácio do Calhariz em Lisboa, onde deu faustosas festas que foram abrilhantadas pelas melhores orquestras, e nas quais se apresentaram os maiores artistas do seu tempo, incluindo a internacional cantora lírica Luísa Todi.
Iniciou a sua vida de trabalho em Génova, Itália, para onde foi praticar o comércio, tendo aí casado com uma gentil e elegante genovesa que foi D. MARIA MADALENA ANTÓNOA CROCCO (1733-1907) da qual teve um filho e duas filhas:
1.º -  SEBASTIÃO ANTÓNIO DA CRUZ SOBRAL (n. 1758), 3.º morgado de Sobral de Monte Agraço.
         Seguiu as Letras, foi Ouvidor da Alfândega de Lisboa, e desembargador do Conselho da
         Fazenda, tendo falecido solteiro, sem geração.
2.º -  D. JOANA MARIA DA CRUZ SOBRAL (1760-1812), 4.ª morgado de Sobral de Monte Agraço, 
         casada a 20-II-1773, por volta dos seus 13 anos de idade, com GERALDO VENCESLAU 
         BRAAMCAMP DE ALMEIDA CASTELO BRANCO (1752-1828), 4.º morgado de Sobral de Monte
         Agraço, e 1.º Barão de Sobral, por casamento, 2.º morgado da Luz por herança de seus pais,
         com geração.
Entre outros, foi seu filho HERMANO JOSÉ BRAAMCAMP DE ALMEIDA CASTELO-BRANCO (1775-1846), 1º conde de Sobral, o qual foi 4.º avô materno de SALVADOR SOBRAL (n. 1989), o vencedor do Festival Eurovisão da Canção (2017).
3.º -  D. LEONOR CLARA DA CRUZ SOBRAL (n. 1761), falecida solteira e sem geração.



SALVADOR SOBRAL (n. 1989)
Genealogia



PAIS

SALVADOR VILLAR BRAAMCAMP SOBRAL (n. 1989) nasceu a 28-XII-1989 em Lisboa.
Foi um dos 5 filhos de SALVADOR LUIS CABRAL BRAAMCAMP SOBRAL (n. 1955), nascido a 21-V-1955 em Santos-o-Velho, Lisboa, cidade onde casou a 5-V-1984 com D. LUÍSA MARIA CABRAL POSSER VILAR (n. 1960), nascida a 25-VIII-1960 em Nossa Senhora da Anunciada em Setúbal.

AVÓS PATERNOS

Neto paterno de SALVADOR JOSÉ DE ALMEIDA BRAAMCAMP SOBRAL (1916-2006), nascido 2-VII-1916 em Sobral de Monte Agraço, falecido a 12-VI-2006, casado a 10-VII-1947 em Lisboa com D. MARIA ELISA PERESTRELO DE MATOS DE FIGUEIREDO CABARL (1917-2007), nascida a 27-VII-1917 em Lisboa, cidade onde faleceu a 18-XII-2007.
Sua mulher D. Maria Elisa era um dos 4 filhos de CONSTANTINO DE FIGUEIREDO CABRAL (1885-1959), Eng.º Civil de Obras Públicas e Minas, director da CP – Comboios de Portugal, presidente da Comissão Reguladora do Comércio dos Metais, director da Companhia Geral de Construções, nascido a 27-X-1885 no Porto, e falecido a 22-V-1959 em Lisboa, cidade onde casou a 7-I-1915 com D. MARIA ROSINE PERESTRELO DE MATOS (1889-1966) nascida a 16-III-1889 em Lisboa, cidade onde veio a falecer a 12-VIII-1966; neta paterna de FRANCISCO DO VALE COELHO CABRAL (1846-1897), fidalgo cavaleiro da Casa Real, bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra, major do Real Corpo de Engenharia, senhor da Casa de Sandim na freguesia de Roriz, concelho de Santo Tirso, nascido na freguesia da Sé, no Porto, falecido a 30-VI-1897 em Roriz, Santo Tirso, casado a 26-X-1874 na Sé do Porto com D. ELISA DE FIGUEIREDO DIAS GUIMARÃES (1850-1934), nascida a 4-X-1850 na Foz do Douro, Porto, tendo falecido a 21-VIII-1934 em Roriz, Santo Tirso; e neta materna de ANTÓNIO JOSÉ DIAS GUIMARÃES (1805-1857), cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, bacharel formado em Leis. Lente da Academia Real de Marinha e Comercio, reitor do Liceu do Porto, nascida a 1-V-1805 na Sé, Porto, falecida a 10-VIII-1857 na Foz do Douro, Porto, casado em 1836 com D. ISABEL MARIA DE FIGUEIREDO (1818-1884), nascida a 25-I-1818 na Vitória, Porto, falecida a 13-X-1884 em Cedofeita, Porto.

AVÓS MATERNOS
Condes de Mossâmedes, condes de Sobral, condes de Ficalho, 
duques de Ficalho, condes de Mafra, condes de Burnay

João Luís Posser de A.
Vilar (1931-1970).
João Luís Posser de A.
Vilar (1931-1970).
Neto materno de JOÃO LUÍS POSSER DE ANDRADE VILAR (1931-1970), nascido a 30-VII-1931 em Lisboa, tendo falecido aos 38 anos a 1-I-1970 na sequência de um brutal acidente de automóvel (21-XII-1969), no Circuito da Palanca Negra em Luanda, enquanto piloto de ralis de mérito e muito acarinhado pelo público que o alcunhou de “Janita Vilar”, deixando 7 filhos menores (entre os quais Bernardo Vilar, motociclista com várias participações no Rally Raid Paris-Dakar), casado a 10-XI-1954 em Lisboa com D. LUÍSA MARIA DE MELO BREYNER FREIRE CABRAL (n. 1932), nascida a 7-V-1932 em Carcavelos, concelho de Cascais.
Francisco Xavier de
Jesus Freire Cabral
Metelo Pacheco
(1900-1962)
João Luís Posser de Andrade
 Vilar (1931-1970).
Sua mulher D. Luísa Maria era um dos 7 filhos de FRANCISCO XAVIER DE JESUS FREIRE CABRAL METELO PACHECO (1900-1962), senhor da Quinta do Barão em Carcavelos, uma das produtoras do afamado vinho de Carcavelos, casado a 23-IV-1922 em Lisboa com D. MARIA DA CONCEIÇÃO BURNAY DE MELO BREYNER (n. 1904), nascida a 13-XI-1904 em Lisboa, filha de Tomás de Mello Breyner (1866-1933), 4º conde de Mafra (cuja ascendência vai abaixo no § 4); neta paterna de BALTAZAR FREIRE CORTEZ CABRAL DE METELO (1867-1924), senhor do Palácio Cabral Metelo, à Calçada do Combro em Lisboa (actual Junta de Freguesia de Santa Catarina), e senhor da Quinta do Barão em Carcavelos (comprada a seu sogro, o 1.º conde de Mossâmedes), grande enólogo e produtor do vinho de Carcavelos, casado a 19-IV-1899 em São Tiago, Lisboa, com D. LUÍSA MARIA DE ALMEIDA E VASCONCELOS (1877-1963), nascida a 14-IX-1877 em Carnide, Lisboa, cidade onde faleceu a 19-V-1963, filha de D. José Francisco de Almeida e Vasconcelos (1840-1908), 1.º conde de Mossâmedes (cuja ascendência vai abaixo no § 1) e de sua mulher D. Maria Margarida Braamcamp de Melo Breyner (1844- 1930).
D. Adelaide Braamcap
S. A. C.-B. (1781-1812)
Luís Maria de Mello
Breyner (1807-1876)
D. Maria Margarida Braamcamp de Melo Breyner, por sua vez era filha de LUÍS MARIA DE MELLO BREYNER (1807-1876), 2.º conde de Sobral por casamento com D. ADELAIDE BRAAMCAMP SOBRAL DE ALMEIDA CASTELO-BRANCO (1808-1885), 2.ª condessa de Sobral, senhora dos morgados de Sobral e da Luz (cuja ascendência vai abaixo no § 2); neta paterna de FRANCISCO JOSÉ DE MELLO BREYNER TELES DA SILVA (1781-1812)2º conde de Ficalho, e de sua mulher D. EUGÉNIA MAURÍCIA TOMÁSIA ALMEIDA PORTUGAL (1784-1859), 1.ª duquesa de Ficalho (cuja ascendência vai abaixo no § 2); e neta materna de TOMÁS DE MELLO BREYNER (1866-1933), 4.º conde de Mafra (cuja ascendência vai abaixo no § 4).

O PALÁCIO CABRAL METELO, à Calçada do Combro, em Lisboa, na proximidade do Poço dos Negros, é um edifício setecentista com uma fachada equilibrada e discreta, com elementos barrocos e pombalinos, que pertenceu aos senhores de Belmonte, os quais foram grandes proprietários em Oliveira do Hospital.
Lisboa, Palácio Cabral Metelo.
Anterior ao terramoto, foi reconstruído após os estragos causados por esta catástrofe natural. Apresenta uma planta em “T”, do qual se destaca uma fachada dividida por pilastras lisas em 4 panos desiguais, com 11 vãos de janelas de sacada com peito gradeado e verga de arco abatido.
Propriedade dos Figueiredo Cabral, senhores de Belmonte, tinha um riquíssimo interior de estuques trabalhados, azulejos setecentistas, e painéis de pintura decorativa.
Apesar da ausência da expectável pedra de armas na sua fachada exterior, assim como de indícios da sua existência e posterior retirada, tinha um interior decorado com uma profusão de tectos e painéis pintados com os escudos de armas da família (entre 1899 e 1922), os quais foram desaparecendo após a compra deste palácio pelo Estado em 1965. Destes painéis, cuja factura seguiu a tipologia setecentista, restam apenas 4 painéis da casa de jantar, os quais foram postos a salvo no Museu da Cidade de Lisboa[12].
Neste edifício foi instalada a Junta de Freguesia de Santa Catarina.

Palácio Cabral Metelo, tecto da
sala vaga.  Esc. esquartelado:
1º- Freire de Andrade,
2º- Cabral, 3º- Metelo,
 4º- Pacheco
Esc. cortado: 1º e 2.º- Sobral.



















Escudo esquartelado:
1º- Henriques, 2º- Cabral,
 3º-Metelo, 4º - Pacheco.
Escudo partido:
1º- Almeida, 2º- Vasconcelos
Escudo esquartelado:
1º- Albuquerque, 2º- Freire
Andrade, 3º- Osório,
4º- Fonseca

§ 1
Condes de Mossâmedes, barão da Lapa, marqueses de Borba, 
marqueses de Tancos, príncipes de Soubise,
condes de Rochefort, e duques de Rohan

Lisboa, Palácio do Mitelo.
D. JOSÉ FRANCISCO DE ALMEIDA E VASCONCELOS (1840-1908), 1.º conde de Mossâmedes, que foi casado com D. Maria Margarida Braamcamp de Melo Breyner (1844- 1930), era filho de D. MANUEL FRANCISCO DE ALMEIDA E VASCONCELOS (1811-1898), 2.º conde da Lapa, 4.º barão de Mossâmedes, vedor e porteiro-mor da Casa Real, Par do Reino, oficial-mor honorário da Casa Real, senhor do Palácio do Mitelo ao Campo Mártires da Pátria em Lisboa, e da grande Quinta do Barão em Carcavelos, alcaide-mor de Barcelos e senhor do Solar dos Soverais em Sernancelhe, e de sua mulher  D. FRANCISCA DE PAULA LUÍSA DE SOUSA COUTINHO (1814-1888). 


D. Manuel Francisco de
Almeida e Vasconcelos
(1811-1898)
D. Eugénia Manoel de
Noronha (1776-1846)
D. Francisca de Paula L.
de Sousa Coutinho
(1814-1888)
D. Fernando Maria de
Sousa Coutinho C.-B.
 e Menezes (1776-1834),
2.º marquês de Borba.
















D. Anne de Rohan-Chabot
(1648-1709)
D. José Francisco de Almeida era neto materno de D. FERNANDO MARIA DE SOUSA COUTINHO DE CASTELO-BRANCO E MENEZES (1776-1834), 2.º marquês de Borba, Par do Reino, senhor da Quinta do Bonjardim, mecenas de compositores e artistas, tenente coronel do Exército, comendador da Ordem de Cristo, presidente do Real Erário, um dos governadores do Reino quando a Corte se estabeleceu no Brasil, tendo casado com D. EUGÉNIA MANOEL DE NORONHA (1776-1846), filha dos 3.ª marquesa de Tancos, e 3.ª neta de D. François de Rohan (1630-1712), 1.º príncipe de Soubise, conde de Rochefort, governador de Champagne, Berry e Brie, assim como capitão de Gendarmes do rei de França, casado a 17-IV-1663 com D. Anne de Rohan-Chabot (1648-1709), senhora de Soubise, a qual era filha de Henri Chabot (1616-1655), 2.º duque de Rohan, e de sua mulher D. Marguerite Rohan (c.1620-1684). 

A QUINTA DO BARÃO (de Mossâmedes) em Carcavelos, tem actualmente uma belíssima casa apalaçada com origem numa edificação anterior que remonta ao século XVIII, a qual se ficou a dever à iniciativa do mestre-de-obras JACINTO ISIDORO DE SOUSA (n. 1718?)[13], o responsável pela conclusão do Palácio do Marquês de Pombal em Oeiras. Após a morte deste seu proprietário inicial (1783?), a viúva D. Joaquina Teodora vendeu-a em 1794 ao Barão de Moçâmedes que a beneficiou e a dotou com riquíssimo mobiliário, construindo vários anexos agrícolas e uma grande adega que foi equipada para receber as suas enormes colheitas, as quais estiveram na origem da marca de vinhos «Quinta do Barão», um dos famosos vinhos de Carcavelos que chegou a ter fama nos mercados mundiais.
Foi então que o povo a denominou de Quinta do Barão, epíteto este que perdurou até aos nossos dias.
Apresenta três pisos de vãos simétricos, e uma ala lateral com dois lanços de escadas que dão acesso ao alpendre do primeiro piso. Apresenta um grande número de painéis de azulejos com concheados rococó e cenas figurativas de azul e branco. Dela faz parte uma capela com altar de talha dourada.


Carcavelos, Quinta do Barão (de Mossâmedes).
Carcavelos, Adega da Quinta do
Barão.













§ 2
Condes do Sobral, condessa de Narbonne-Lara (França)

D. Louise Amable R. F. de
N.-Lara (1786-1849)
Hermano José Braamcamp
de A. C.-B. (1775-1846)
D. Adelaide Braamcamp Sobral de Almeida Castelo-Branco (1808-1885), 2.ª condessa de Sobral, casada com Luís Maria de Mello Breyner (1807-1876), era filha de HERMANO JOSÉ BRAAMCAMP DE ALMEIDA CASTELO-BRANCO (1775-1846), 1.º conde de Sobral, 5º Senhor da Vila de Sobral de Monte Agraço., 5.º Administrador do vínculo de Sobral e 3.º do da Luz, cavaleiro da Ordem de Cristo, Par do Reino, ministro dos Negócios Estrangeiros e da Fazenda, presidente e vice-presidente da Câmara dos Pares, deputado das Cortes, senador, fidalgo cavaleiro da Casa Real, bacharel em Direito, e um dos maiores proprietários do reino, casado com D. LOUISE AMABLE RION FRANÇOISE DE NARBONNE-LARA (1786-1849).
Era neta paterna de GERALDO VENCESLAU BRAAMCAMP DE ALMEIDA CASTELO-BRANCO (1752-1828), 1.º barão de Sobral, 4.º Senhor da Vila de Sobral de Monte Agraço, 2.º administrador do vínculo da Luz, 4.º Alcaide-mor de Freixo de Numão, comendador de St.ª Maria de Atouguia na Ordem de Cristo, fidalgo cavaleiro da Casa Real, e de sua mulher D. JOANA MARIA DA CRUZ SOBRAL (1760-1812), 4.ª senhora de Sobral de Monte Agraço (filha do já citado Anselmo José da Cruz Sobral, o 2.º morgado de Sobral de Monte Agraço); e neta materna de LOUIS MARIA JACQUES AMALRIC DE NARBONNE-LARA (1755-1813), conde de Narbonne-Lara (França), coronel do Regimento de Infantaria do Piemonte, marechal de campo e tenente general, ministro da guerra de Luís XVI, ajudante de campo do Imperador Napoleão I, casado com D. MARIE ADÉLAIDE DE MONTHOLON (n. 1767). 
O seu avô materno Louis Maria Jacques Amalric de Narbonne-Lara era filho putativo do LUÍS XV (1710-1774), rei de França, com D. FRANÇOISE DE CHÂLUS (1734-1821), duquesa de Narbonne-Lara.


D. Françoise de Châlus
(1734-1821), duquesa
de Narbonne-Lara
Luís XV (1710-1774),
rei de França
Louis Maria Jacques Amalric
de Narbonne-Lara (1755-1813)
D. Marie Adéaide de
Montholon (n. 1766)














§ 3
Condes e duques de Ficalho, marqueses do Lavradio,
condes de Vilar Maior, marqueses de Penalva,
e condes de Tarouca

D. António Máximo de
Almeida Portugal
(1784-1859),
3.º marquês do Lavradio
Francisco José de Mello
B. T. da S. (1781-1812),
2º conde de Ficalho
FRANCISCO JOSÉ DE ALMEIDA E VASCONCELOS MELLO BREYNER TELES DA SILVA (1781-1812), 2º conde de Ficalho, natural de Serpa, foi casado com D. EUGÉNIA MAURÍCIA TOMÁSIA ALMEIDA PORTUGAL (1784-1859), 1.ª duquesa de Ficalho.
Sua mulher era filha de D. ANTÓNIO MÁXIMO DE ALMEIDA PORTUGAL (1756-1833), 3.º marquês de Lavradio, casado com D. ANA TELES DA SILVA (c. 1762), dama da rainha D. Maria I, e filha de MANUEL TELES DA SILVA (1727-1789), 6º conde de Vilar Maior, e de sua 2.ª mulher D. EUGÉNIA DE MENEZES DA SILVA (1731-1788), 2ª marquesa de Penalva, e 6ª condessa de Tarouca.




§ 4
Condes de Mafra, condes de Burnay

Tomás de Mello Breyner
(1866-1933),
4.º conde de Mafra
TOMÁS DE MELLO BREYNER (1866-1933), 4.º conde de Mafra, era filho de Francisco António de Jesus Maria Xavier de Sales de Mello Breyner (1811-1884), 2º conde de Mafra, médico da Real Câmara, deputado, e de sua mulher D. Emília Pecquet da Silva (1824-1895).


Casou a 7-I-1894 com D. SOFIA DE CARVALHO BURNAY (1875 -1895), filha de Henrique Burnay (1838-1909), 1.º conde de Burnay, e de D. Maria Amélia de Carvalho (1847-1924); neta paterna do homónimo Henrique Burnay (1810-1866), natural da Bélgica, e de D. Lambertine Agnès Josephine Forgeur (1806-1873), natural de Liege, Bélgica. 





D. Maria Amélia de Carvalho
(1847-1924)
Henrique Burnay
(1838-1909),
1º conde de Burnay


D. Sofia de Carvalho Burnay
(1875-1895)




BISAVÓS PATERNOS
Condes de Sobral, viscondes de Asseca

Luís José Aimable
Braamcamp Sobral
(1874-1934)
O seu avô paterno Salvador José de Almeida Braamcamp Sobral (1916-2006) era um dos 7 filhos de LUÍS JOSÉ AIMABLE BRAAMCAMP SOBRAL (1874-1934), 4º conde de Sobral, nascido a 3-X-1874 na freguesia do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, cidade onde faleceu a 19-IV-1934, casado a 21-V-1906 na Igreja de Nossa Senhora das Mercês, em Lisboa, com D. MARIA TERESA DE ALMEIDA CORREIA DE SÁ (1883-1957), nascida a 24-IV-1883 em Santa Maria de Belém, Lisboa, cidade onde faleceu a 02-VI-1957.
Sua mulher D. Maria Teresa era uma dos 8 filhos de D. ANTÓNIO DE ALMEIDA PORTUGAL (1852-1882), de seu nome completo António Maria Brás da Paixão de Almeida Portugal Corrêa de Sá Soares de Alarcão d'Eça e Mello Castro Ataíde Pereira Mascarenhas Silva e Lancastre[14], nascido a 24-VII-1852 em Santa Engrácia, Lisboa, e falecido prematuramente a 9-IX-1882, tendo casado a 18-VII-1872 em Santos-o-Velho, Lisboa, com D. ISABEL CORREIA DE SÁ E BENEVIDES (1851-1882), nascida a 15-X-1851 em Santos o Velho, Lisboa, e falecida prematuramente a 19-X-1882; filha de SALVADOR CORREIA DE SÁ (1825-1852), 7.º visconde da Asseca, casado a 22-X-1845 na Lapa, em Lisboa, com D. MARIANA DE SOUSA BOTELHO MOURÃO E VASCONCELOS (1823-1911); e irmã de D. José Maria de Almeida Correia de Sá (1874-1945), 6.º marquês do Lavradio e 9.º conde de Avintes.

BISAVÓS MATERNOS
Barões da Folgosa, condes de Geraz

O seu avô materno João Luís Posser de Andrade Vilar (1931-1970), o piloto de automóveis “Janita Vilar”, era o varão primogénito de uma prole de 3 filhos de JOAQUIM JOSÉ DE MAGALHÃES E MENEZES VILAR (1901-1969), nascido a 4-XII-1901 em Triana, Alenquer, e falecido a 28-III-1969 em Lisboa, tendo casado a 15-IV-1929 com D. MARIA DA COSTA E SILVA POSSER DE ANDRADE (1904-1974), nascida a 14-VI-1904 em Benfica, Lisboa, cidade onde faleceu a 29-VII-1974.
Jerónimo de Almeida
Brandão e Sousa
(1801-1848),
1.º barão da Folgosa
Sua mulher D. Maria da Costa era filha de JOÃO POSSER DE ANDRADE (1869-1926), nascido a 23-I-1869 em Santa Maria de Belém, Lisboa, e falecido a 3-IX-1926 em Sintra, tendo casado a 8-VIII-1903 em Lisboa com D. JÚLIA DO REGO DA FONSECA MAGALHÃES COSTA E SILVA (1880-1858), nascida a 9-IV-1880 no Socorro, em Lisboa, e falecida a 12-XI-1958 em Vila Franca de Xira; filha de ROBERTO TEODORICO TALONE DA COSTA E SILVA (1839-1906), nascido a 27-VIII-1839 na Lapa, em Lisboa, e falecido a 8-XII-1906 em Castelo de Vide, Portalegre, o qual casou a 15-II-1871 na Lapa, em Lisboa, com D. MARIA ZEFERINA BRANDÃO DE FONSECA MAGALHÃES (1851-1886), nascida a 15-III-1851 em Lisboa, cidade onde faleceu a 25-XII-1886; esta última era filha de Luís do Rego da Fonseca Magalhães (1827-1868) e de D. Júlia Sofia de Almeida Brandão e Sousa (1832-1891), 1ª condessa de Geraz do Lima, a qual era neta de Jerónimo de Almeida Brandão e Sousa (1801-1848), 1.º barão da Folgosa e Par do Reino (1844-1848), e de sua mulher D. Maria Joaquina da Rocha e Castro (c. 1800).


TRISAVÓS PATERNOS
Condes de Sobral

D. Francisca Maria das Dores de
Almeida e Vasconcelos
(1847-1916)
Hermano José A. B. S. de
Mello Breyner (1840-1905),
3.º conde de Sobral.
O seu trisavô paterno Luís José Aimable Braamcamp Sobral (1874-1934), 4º conde de Sobral, era um dos 8 filhos de HERMANO JOSÉ AIMABLE BRAAMCAMP SOBRAL DE MELLO BREYNER (1840-1905), 3.º conde de Sobral, fundador do Turf Club de Lisboa, Par do Reino, oficial-mor honorário da Casa Real, nascido a 26-VII-1840 em Lisboa, falecido a 3-I-1905 em Carcavelos, tendo casado a 11-X-1864 na capela do Palácio do Mitelo, ao Campo Mártires da Pátria em Lisboa, com D. FRANCISCA MARIA DAS DORES DE ALMEIDA E VASCONCELOS (1847-1916), nascida a 27-III-1847 nos Anjos, Lisboa, e falecida a 18-IV-1916 na Quinta da Alagoa, em Carcavelos, no concelho de Cascais.



Curiosidades Genealógicas:

SALVADOR SOBRAL (n. 1989), tanto pelo lado paterno, como materno, é descendente do D. AFONSO HENRIQUES (1109-1146), 1.º rei de Portugal.

Pelo lado materno de D. LUÍSA MARIA CABRAL POSSER VILAR (n. 1960), SALVADOR SOBRAL (n. 1989) foi 14.º (?) neto de ANTÓNIO TRIGUEIROS (f. 1545?), um dos primeiros que ganhou algum destaque nesta família, casado com D. JOANA DE GÓIS (c. 1510).
Estes tiveram uma neta que foi D. LEONOR TRIGUEIROS DE BARROS, filha do homónimo António Trigueiros (filho ou neto do 1.º deste nome) e de D. Maria de Barros, herdeiros dos morgados dos Trigueiros, casada com CRISTÓVÃO PATO HENRIQUES (c. 1575)[15], 3.º morgado da Bandalhoeira[16], cavaleiro fidalgo da Casa Real que viveu em Torres Vedras na casa que tinha na freguesia de São Pedro.
Seu marido era um dos vários filhos de Afonso Pato Henriques (c. 1550) e de sua mulher D. Luísa Caldeira Pimentel[17]. Deste ramo provem a mãe de SALVADOR SOBRAL (n. 1989).

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Notas:

[1]     CASTILHO, Júlio, Lisboa Antiga: O Bairro Alto, Vol. 3 (Lisboa, CML, 1956), p. 6.
[2]     Sobre a família Sobral e a sua ascensão social, Cf. FERREIRA, Paulo da Costa, As Lides do Talaya (2014: Cascais, Cascais Editora), pp. 75-81.
[3]     Para mais detalhe sobre JOSÉ FRANCISCO DA CRUZ ALAGOA (1717-1768), e a restante família, cf. FIGUEIROA-REGO, João, «Aqui foi a “Floresta egípcia”. Vivências e moradores das casas nobres Cruz Alagoa na antiga rua Direita da Fábrica das Sedas, depois rua da Escola Politécnica, em Lisboa (1757-1967)», Cadernos do Arquivo Municipal, Vol. II, 2.ª Série, n.º 6, (Arquivo Municipal de Lisboa / Câmara Municipal de Lisboa, Julho-Dezembro 2016), pp. 47-83.
[4]     A QUINTA DO MORGADO DOS SOARES DA COTOVIA terá ocupado grande parte dos terrenos situados entre a rua da Escola Politécnica, a rua de São Bento, e o largo do Rato, com a sua casa senhorial pelas bandas do actual edifício da Imprensa Nacional. O instituidor deste morgado foi André Soares, feitor na Flandres que esteve ao serviço do rei D. João III (1521-1577).
[5]     SOUSA, Nestor de, O largo do Rato: placa distributiva de Lisboa: espaço de vários espaços, Ponta Delgada, Universidade dos Açores, 1985, p.82.
[6]     FIGUEIROA-REGO, João, «Aqui foi a “Floresta egípcia”. Vivências e moradores das casas nobres Cruz Alagoa na antiga rua Direita da Fábrica das Sedas, depois rua da Escola Politécnica, em Lisboa (1757-1967)», Cadernos do Arquivo Municipal, Vol. II, 2.ª Série, n.º 6, (Arquivo Municipal de Lisboa / Câmara Municipal de Lisboa, Julho-Dezembro 2016), pp. 60-66.
[7]     CASTILHO, Júlio, Lisboa Antiga: O Bairro Alto, Vol. 3 (Lisboa, CML, 1956), p. 29.
[8]     CASTILHO, Júlio, Ibidem.
[9]   LÁZARO LEITÃO ARANHA (F. 1767), foi Lente de Leis na Universidade de Coimbra, depois desembargador da Relação do Porto (1716), deputado da Mesa da Consciência, cónego e principal da Sé Patriarcal. Fundou em 1747 o Recolhimento de Nossa Senhora dos Anjos, para viúvas nobres, pobres e honestas, e seus filhos. Mandou edificar em 1734 a sua Casa à Junqueira – hoje Universidade Lusíada –, em Lisboa, segundo risco de Carlos Mardel.
[10]    D. ANA JOAQUINA INÁCIA DA CUNHA (c. 1750-1803), por morte do seu primeiro marido, voltou a casar mais duas vezes, mas não teve geração de nenhum deles.
[11]    Os outros administradores da Fábrica de Panos da Covilhã foram os capitalistas JOAQUIM PEDRO QUINTELA (1748-1817), e JACINTO FERNANDES BANDEIRA (1745-1806), o futuro 1º barão de Porto Covo da Bandeira.
[12]    SEIXAS, Miguel Metelo, «Interesse e perspectivas da heráldica para o estudo da casa senhorial. O caso lisboeta do Palácio Cabral Metelo Miguel Metelo de Seixas», in MALTA, Marize; MENDONÇA, Isabel M.G:, Casas Senhoriais Rio-Lisboa e seus interiores (Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro / Universidade Nova de Lisboa / Fundação Ricardo Espírito Santo, 2014), pp. 213-232
[13]    JACINTO ISIDORO DE SOUSA (b. 1718) foi baptizado a 17-VII-1718 na freguesia do Lumiar em Lisboa, cidade onde residiu na rua da Conceição, na freguesia de São Julião. Casou a 9-XI-1744 na Igreja de Santiago de Camarate com D. Joaquina Teodora, natural da freguesia de Nossa Senhora da Pena em Lisboa. A 9-VIII-1766 fez uma petição para Familiar do Santo Ofício (ANTT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Jacinto, mç. 5, doc. 68).
[14]    Não se encartou no título de conde de Avintes, de que seria o 9º conde.
[15]    GAIO, Felgueiras, Nobiliário, Tít. «Patos», § 8-10, Vol. VIII, p. 85-87. – Com correcções.
[16]    O MORGADIO DO PATO da Quinta da Bandalhoeira foi instituído em 1592 por Duarte Vaz Pato, na freguesia de Azueira, no concelho de Mafra.
[17]    AFONSO PATO HENRIQUES (c. 1550) e sua mulher D. Luísa Caldeira Pimentel tiveram: 1. Inácio Pato Henriques, que foi casado com D. Filipa do Quental; 2. Afonso Pato Henriques; 3. Clara Henriques.
      Os PATOS já eram conhecidos em 1228, ano em que vivia Egas Fernandes Pato, como testemunham as inquirições mandadas fazer por D. Afonso III. Em 1400, um seu descendente, Gonçalo Fernandes Pato, morador em Alcochete, teve um filho que foi Martim Viegas Pato, e uma filha D. Brites Gonçalves Pato que foi casada com Francisco Alves Semedo, morador na Moita, termo de Alhos Vedros. Desta última houve numerosa descendência que propagou o apelido, e entre eles um seu quinto neto de nome Gil Pato, fidalgo da Casa Real que tirou brasão de armas em 1564, cuja descendência instituiu um morgado em São Vicente de Fora (1711).