2017-05-12

Família MENDES FALCÃO de Alcains & Castelo Novo – Casa de Silvestre Fernandes Leitão (Solar Dom Silvestre)

Castelo Novo,
Casa de Silvestre Fernandes Leitão (1616),
posterior Casa Falcão (Solar Dom Silvestre)

Introdução
Na Beira Interior, durante a segunda metade do século XVII, a subsistência de uma parte significativa da população local dependia de uma débil economia agrária cujas actividades ocupavam um grande número de assalariados, rendeiros, e pequenos proprietários, em confronto com um pequeníssimo número de grandes agrários que viviam desafogadamente porque detinham a maioria das melhores terras agricultáveis.
Daqui resultava, em parte, a falta de estímulos sentidos por grande parte da população em relação às actividades agrícolas das quais dependia a sua sobrevivência.
Como os diversos ofícios e actividades ligadas à agricultura não propiciavam a desejada progressão na escala social destes trabalhadores e pequenos proprietários rurais, os seus descendentes tinham tendência a fugir a este ingrato destino, procurando aceder a cargos públicos, assim como ao desempenho de funções militares que a ameaça espanhola então requeria.
Isto obrigava à deslocação de parte desta população rural, das suas terras de origem, para as diversas praças de guerra onde se organizava a defesa do país perante a previsível invasão castelhana, após a Restauração (1640). 
Ao procedermos ao estudo da família FALCÃO que se encontrava radicada em Alcains, no concelho de Castelo Branco, em meados do século XVII[1], ficamos com a convicção que estes seriam originários do concelho do Fundão e, à semelhança do que aconteceu com membros de outras famílias, terão enveredado pelo serviço público e pela vida militar o que os levaria do concelho do Fundão para Alcains, então uma pequena praça de guerra próxima da raia, fortificada com uma torre defensiva – o Castelo a que o povo chamava o Torrejão –, e atravessada por estradas com interesse estratégico para as tropas invasoras.

Alcains, Capela do Espírito
 Santo, Séc. XVI,
(serviu de Matriz).
Muitos destes novos combatentes foram compelidos a ocorrer à defesa das várias praças-fortes junto à fronteira durante a Guerra da Restauração (1640-1668), assim como na subsequente Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1714).
Alguns deles acabaram por criar raízes nos sítios de destino, onde, por alianças matrimoniais com famílias locais, aí se fixaram e deixaram descendência.
Supomos ter sido isto o que sucedeu a um qualquer FALCÃO do concelho do Fundão, o qual terá originado o ramo desta família em Alcains.
Terminados os citados conflitos com Espanha, muitos deles, ou os seus descendentes, foram desmobilizados e retornaram às localidades de origem onde teriam as suas raízes familiares que nunca enjeitaram.

 A existência da família FALCÃO em Alcains, não será anterior ao início da Guerra da Restauração (1640). Quanto à sua antiguidade no actual concelho do Fundão (concelho criado em 1747), sabemos ser anterior à existência dos Falcões em Alcains, apesar de não conhecemos as suas hipotéticas relações de parentesco.

Destes Falcões do concelho do Fundão, os mais antigos que conhecemos são:
Manuel Tavares Falcão (c. 1622).~
Brasão partido: TAVARES, FALCÃO.
MANUEL TAVARES FALCÃO (c. 1622), morador no Alcaide, actual concelho do Fundão, o qual obteve Carta de Brasão de Armas com escudo partido em pala, de TAVARES e FALCÃO, tendo por diferença um trifólio verde. Armas concedidas a 25-I-1633, registadas no Cartório da Nobreza (L. I, fl. 407v). Era filho de GASPAR TAVARES FALCÃO e de D. … ANTUNES, moradores no Alcaide. Desconhecemos os nomes de seus avós, mas sabemos ser bisneto de MANUEL TAVARES, capitão do Alcaide ao tempo do Rei D. Sebastião (1577-1578)[2]. Terá casado mais do que uma vez.
Este Manuel Tavares Falcão (c. 1622) foi ascendente do conhecido e abastado LOURENÇO JOSÉ TABORDA TAVARES DE NEGREIROS FEIJÓ FALCÃO (1781-1818), natural da Fatela, Fundão, o qual teve brasão de armas aos 6 anos de idade, por iniciativa de seu pai, com um escudo esquartelado de TABORDAFEIJÓFALCÃO, e TAVARES (Br. passado a 21-I-1788), o qual se encontra na fachada do seu solar no Fundão que é actualmente o «Museu Arqueológico Municipal Dr. José Monteiro», e na sua Casa Grande da Fatela[3]. Este era filho de LOURENÇO JOSÉ TABORDA D’ELVAS DE NEGREIROS FEIJÓ, e de sua mulher D. MARIA BÁRBARA FALCÃO DE AGUIAR LEITÃO.
Pedra de Armas de Lourenço José T.
T. de N. F. Falcão. Esquartelado de:
TABORDA, FEIJÓ, FALCÃO, e
TAVARES (Br. de 21-I-1788)
Sabemos ainda da existência de um ANTÓNIO MENDES FALCÃO (c. 1674) que fez habilitação para familiar do Santo Ofício em 1674, na qual  provou ser “cristão velho, de boa vida e costumes” vivendo “de sua fazenda”; filho homónimo de ANTÓNIO MENDES FALCÃO, natural do Fundão, e de sua mulher D. FRANCISCA VAZ, natural de Aldeia Nova do Cabo; neto paterno de MANUEL ANTUNES, da freguesia do Souto da Casa, e de D. APOLÓNIA ANTUNES, natural do Fundão; e neto materno de FRANCISCO VAZ “o Faísca de alcunha que vive de sua fazenda”, natural de Aldeia Nova do Cabo, e de D. MARIA ANTUNES, natural do Souto da Casa, todos eles “cristãos velhos, limpos de sangue” e já defuntos à data desta habilitação (1674).
Era casado com D. ANA RODRIGUES, natural e moradora no Fundão, filha de MANUEL VAZ BARROSO e de D. VIOLANTE RODRIGUES, moradores no Fundão; neta paterna de FRANCISCO VAZ, natural do Souto da Casa, e de JOANA FRANCISCA, natural do Fundão; e neta materna de FRANCISCO RODRIGUES e de D. MARIA FRANCISCA, os quais foram moradores no Fundão, todos eles já defuntos (ANTT, Concelho Geral, Habilitações, António, mç.16, doc 536).
Desconhecemos a existência de filhos deste casal, e a hipotética ligação com a família Falcão que um século depois estava implantada e Castelo Novo onde eram proprietários.

  
Genealogia

§ 1
Família Falcão de Alcains e Castelo Novo

1.       PEDRO GONÇALVES FALCÃO, cujos progenitores e local de nascimento desconhecemos[1]
         Casou com D. MARIA GONÇALVES.
         Filho:
         2.       MATIAS GONÇALVES FALCÃO (n. 1655), que segue abaixo.

2.       MATIAS GONÇALVES FALCÃO (1655-1745), capitão, nasceu 3-IV-1655 em Alcains, localidade onde
         veio a falecer a 19-X-1745.
         A sua vida desenrolou-se durante o período militarmente mais conturbado desta região, no decurso 
         das guerras da Restauração (1640-1668) e da Sucessão de Espanha (1701-1714)[2], esta última para a
         qual Portugal foi arrastado em razão das suas alianças, e  na qual, o capitão Matias Gonçalves, então
         a beirar os 50 anos de idade, teve parte activa e foi «uma figura notável e combateu em 1704, contra
         os castelhanos, com denotada valentia»[3].
         Neste último conflito, onde os portugueses alinharam pelos interesses austríacos contra os france-
         ses e espanhóis, o distrito de Castelo Branco foi muito afectado, confrontando-se com a invasão das
         Beiras – juntamente com o Alentejo – a 7-V-1704 por um exército de 40.000 soldados fiéis ao candida-
         to borbónico Filipe V, o qual devastou e tomou de assalto várias praças fronteiriças, tais como  Sal-
         vaterra do Extremo, Penha Garcia, Segura, Alcains, Idanha-a-Nova, Monsanto, e Castelo Branco: cu-
         jas defesas muralhadas e castelos foram destruídos ou muito danificados.
                  Uma pequena parte destas tropas invasoras ocupou Alcains – de Maio até Julho de 1704 – e aí come-
                  teram as maiores atrocidades, destruindo o seu castelo ou Torrejão, incendiando a Igreja, pilhando
                  muitas casas, matando a maioria dos populares e militares que lhes ofereceram residência. Por esta
                  altura, os soldados que defendiam o castelo de Monsanto foram todos degolados, o que ilustra a fe-
                   rocidade e crueldade dos invasores.
         A violência e sofrimento que se abateu sobre a população de Alcains, durante estes conflitos, ficou
         consagrado na toponímia local com a denominada Rua dos Mortórios – até então chamada Devesa
         das Atafonas –, assim designada em memória da carnificina nela ocorrida a 1-V-1664, com muitas de-
         zenas de mortes perpetradas pelos espanhóis, quando o capitão Matias Gonçalves Falcão era ainda
         uma criança. 
         Casou duas vezes. As suas primeiras núpcias realizaram-se a 22-I-1697 em Alcains com D. ISABEL
         GONÇALVES (n. 1681), nascida a 15-III-1681, filha de Manuel Gonçalves Chouriço e de D. Domingas
         Antunes, todos naturais de Alcains.
         Falecida sua primeira mulher, passou a segundas núpcias com D. CATARINA GONÇALVES, natural
         de Alcafozes, Idanha-a-Nova, filha de Domingos Fernandes e de D. Leonor Gonçalves.
         Filhos do 1.º casamento (4):
         3.       D. MARIA (n.1700), nascida a 31-X-1700.
         3.       D. ISABEL GONÇALVES (n. 1702)[4], nascida a 5-III-1710 em Alcains, localidade onde veio a
                 falecer a 6-X-1777.
                 Casou a 20-XI-1724 em Alcains com MANUEL DUARTE CHAMUSCO (1684-1738), aí nascido a
                 4-IX-1684 e falecido a 28-II-1738, filho de Sebastião Duarte e de D. Maria Simoa, ambos naturais
                 de Alcains.
                 Tiveram:
                 4.        D. JOSEFA DUARTE (n. 1738), nascida a 21-III-1738 em Alcains, localidade onde casou a
                            16-V-1756 com BOAVENTURA RIBEIRO.
Sabemos que tiveram um filho de nome Boaventura Ribeiro (n. 1760), homónimo de seu pai, casado, com geração que chegou aos nossos dias com os apelidos FOLGADO, e SANTOS SILVA, estes últimos com ramificações em Santos, Estado de São Paulo, Brasil.
        3.        MATIAS GONÇALVES FALCÃO (n. 1707), filho varão primogénito, que segue abaixo.
Alcains.
        3.       ANA (n. 1710), nascida a 3-V-1710.
        Filhos do 2.º casamento (5):
        3.       MANUEL (n. 1716), nascido a 17-XII-1716.
        3.       MARTINHO (n. 1720), nascido a 11-XII-1720.
        3.       ANTÓNIO (n. 1722), nascido a 13-VI-1722.
        3.       FILIPE (n. 1734), nascido a 1-V-1734.
        3.       VICENTE (n. 1742), nascido a 22-I-1742.

3.       MATIAS GONÇALVES FALCÃO (n. 1707)[5], nasceu a 9-VI-1707,
         filho homónimo e varão primogénito do 1.º casamento de seu
         pai o capitão Matias.
         Casou com sua parente (?) D. MARIA MENDES FALCÃO (n. 1679), nascida a 2-VII-1679, filha das 
         primeiras núpcias de Inácio Falcão, natural do Fundão, casado com D. Maria Martins, natural de
         Cafede, concelho de Castelo Branco.
         Seu sogro, o fundanense Inácio Falcão, após a morte da sua primeira mulher passou a segundas
         núpcias com D. Maria Ana Godinho, natural de Alcains[6], da qual teve um filho que foi MANUEL
         MENDES FALCÃO (n. 1679), o qual veio radicar-se em Castelo Novo, no concelho do Fundão, e vai
         abaixo no § 2, n.º 1.
         Filhos (3):
         4.       ISABEL (n. 1742), nascida a 31-III-1742.
         4.       CATARINA (1743-1777), nascida a 27-V-1743, tendo falecido a 15-VIII-1777.
         4.       ANA (n. 1748), nascida a 2-III-1748.


§ 2
Família Mendes Falcão de Castelo Novo

1.      MANUEL MENDES FALCÃO (n. 1679), parente colateral do tronco dos FALCÕES de Alcains, terra
Castelo Novo
onde nasceu a 2-VI-1679. Era filho de Inácio Falcão, natural do Fundão, e de sua segunda mulher D. Maria Ana Godinho, natural de Alcains (§1, n.º 2. Matias Gonçalves Falcão)[7].
Casou com D. MARIA GONÇALVES, de Alcains, filha de Manuel Gonçalves Formigo e de D. Maria Gonçalves.
Depois de 1730 foi residir em Castelo Novo – terra das suas origens familiares (?) – onde os seus descendentes, já no início do século XIX, aí adquiriram a Casa Silvestre Fernandes Falcão (1616), a qual, depois de ter sido conhecida por Casa dos Viscondes de Trancoso, passou a ser
          designada por Casa Falcão devido à relevância social aí alcançada por esta última família.
          Filho:
          2.       MANUEL MENDES FALCÃO (n. 1735), que segue.

2.       MANUEL MENDES FALCÃO (n. 1735), homónimo de seu pai, proprietário, nasceu a 21-VIII-1735 em
         Castelo Novo.
         Durante parte do reinado de D. Maria I (1777-1816) ocupou cargos na administração do então conce-
         lho de Castelo Novo, como consta por documentação existente no Arquivo da Torre do Tombo, Mesa
         de Desembargo do Passo: foi procurador do Concelho nos anos de 1783 (Maço 1045), 1790, 1794
         (M. 1048), 1795 (M. 1050), e por fim em 1808 (M. 1058), ano da 1.ª invasão francesa e da partida da
         Corte para o Brasil[8].
         Casou com D. JOSEFA MARIA LEITÃO (n. 1737)administradora de sua casa, nascida a 27-II-1737
         em Castelo Novo[9].
         Filhos (4):
         3.       TOMÁS MENDES FALCÃO (1755-1856), que segue abaixo.
         3.       (?) JOÃO MENDES FALCÃO (1760?)[10], proprietário, casado com D. ROSA MARIA FERNAN-
                    DES, ambos naturais de Castelo Novo.
                    Filho:
                    4.      JOAQUIM MENDES FALCÃO (1779?-1862), nascido por volta de 1779 em Castelo Novo,
                            e aí falecido a 24-IX-1862 no n.º 38 da então Rua da Igreja, quando contava 83 anos, já
                            viúvo, com filhos, e foi sepultado no cemitério público.
O seu nome consta de uma “Relação dos Donativos” de alqueires de milho, oferecidos por moradores de Castelo Novo em Janeiro de 1833, a favor do Exército de Sua Majestade o ainda rei D. Miguel I, publicada na «Gazeta de Lisboa» (n.º 12, 14-I-1833, p. 56).
Casou duas vezes. Já viúvo de sua primeira mulher, cujo nome desconhecemos, voltou a casar nas suas segundas núpcias com D. MARIA JOAQUINA (1803?-1860)[11], homónima de sua avó paterna, tecedeira, natural de Castelo Novo, localidade onde veio a falecer com testamento a 12-VIII-1860, no n.º 38 da então Rua da Igreja. Era filha de Agostinho da Cunha, natural de Castelo Novo, e de sua mulher D. Antónia Maria, natural de Sobral do Campo, no antigo concelho de São Vicente da Beira, e actual concelho de Castelo Branco; neta paterna de João da Cunha e de Antónia Joaquina; e materna de Jorge Mendes Camejo e de D. Maria Joaquina.
Filhos do 2.º casamento (2):
5.       JOSÉ MENDES (n. 1840?), nasceu por volta de 1840. Casou a 28-III-1873 na Igreja
          de Nossa Senhora da Graça em Castelo Novo com D. JOAQUINA MARIA PIRES
          (n. 1827?) que «vive de sua indústria», natural de Oledo, Idanha-a-Nova,  residen- 
          te em Castelo Novo, filha de Manuel Pires e de D. Maria do Rosário, ambos natu-
          rais de Oledo. À data deste matrimónio, o noivo já órfão de pais tinha 23 anos, e
          a noiva 36. Tiveram por testemunhas deste consórcio, José Mendes Falcão (1822?-
          -1902) e Simplício Nunes de Sousa.
5.       MARIA (1848-1860), nasceu a 30-VII-1848 e foi baptizada a 8-VII-1848 em Castelo 
          Novo, onde veio a falecer a 19-VIII-1860, ainda criança com 11 anos de idade.
        3.        D. MARIA DE SÃO PEDRO (1765?-1860), proprietária, falecida solteira a 11-VIII-1860, no n.º 148
                   da então Rua Fria de Castelo Novo, quando contava 95 anos de idade.
        3.        D. ANTÓNIA GERTRUDES (1780?-1870), falecida solteira a 16-III-1870, no n.º 30 da então Rua
                   Fria de Castelo Novo, com cerca de 90 anos de idade.

3.       TOMÁS MENDES FALCÃO (1775-1856), nasceu a 29-XII-1775[12], tendo falecido a 11-IX-1856
Castelo Novo,
antigos Paços do Concelho.
          em Castelo Novo onde foi “sepultado em cova de fábrica".
          Proprietário, tal como seu pai também veio a exercer funções na
          administração do então concelho de Castelo Novo, no qual foi
          procurador do concelho nos anos de 1807 (Maço 1058) e 1808
          (M. 1058)[13], assim como em 1809 (M. 1076), passando a vereador
          da Câmara em 1830 e 1832 (M. 1076)[14], no auge do miguelismo,
          por volta dos seus 77 anos de idade.
          Casou com D. ANA JOAQUINA (1792?-1862), proprietária, natural
         de Castelo Novo onde faleceu já viúva a 16-II-1862, com testamen-
          to, no n.º 39 da então Rua da Igreja, deixando filhos. Era filha de
          António de Brito e de D. Antónia Maria.
          Filhos (4):
          4.       JOSÉ MENDES FALCÃO (1822?-1902), proprietário, nasceu por volta de 1822 na vila de Caste-
                    lo Novo e aí faleceu com testamento a 24-IX-1902 quando contava 80 anos de idade. 
                    Casou em Alpedrinha com D. QUITÉRIA DE JESUS, daí natural, a qual era filha de Francisco
                    Figueiredo e de Joaquina Patrício. Foram moradores na então Rua da Pereira, e na Rua da 
                    Cruz em Castelo Novo, à data do nascimento do seu filho Joaquim Mendes (n. 1873).
                    Filhos (3):
                   5.       JOAQUIM MENDES (n. 1873), jornaleiro, nasceu a 14-XII-1873 e foi baptizado a 29-XII-
                           -1873 em Castelo Novo, apadrinhado pelos seus avós paternos Tomás Mendes Falcão
Castelo Novo, rua antiga.
                            (1775-1856) e D. Ana Maria de São José (1792?-1862). 
                            Casou a 18-I-1899, aos 25 anos de idade, na Igreja de
                            N.ª Sr.ª da Graça de Castelo Novo com D. MARIA
                            PAULINA (n. 1876), de 22 anos, que nasceu a 17-XI-
                            -1876 e foi baptizada a 22-XI-1776 na citada igreja, filha
                            natural de Manuel Marcelino e de D. Antónia Paulina,
                            os quais vieram a casar posteriormente[15], ambos
                            naturais de Castelo Novo; neta materna de Francisco
                            Paulino e de Ana Rosa. 
                            Foram testemunhas destas núpcias o avô paterno
                            Tomás Mendes Falcão (1775-1856) e Guilherme Alves, proprietários.
                   5.       SIMPLÍCIO MENDES (n. 1876), agricultor, nascido a 27-VI-1876 e baptizado a 9-IV-1876
                            na Igreja de N.ª Sr.ª da Graça de Castelo Novo, apadrinhado por seus tios Simplício Nu-
                            nes de Sousa, proprietário, e sua mulher D. Gertrudes Angélica Mendes Falcão (c. 1859),
                            residentes em Castelo Novo. 
                            Casou a 20-VIII-1902, aos 26 anos de idade, na citada Igreja de N.ª Sr.ª da Graça em Cas-
                            telo Novo com D. ANTÓNIA SARAIVA (n. 1884), de 18 anos, tendo por testemunhas
                            Guilherme Alves, proprietário, e Joaquim Esteves Jacinto, casado, negociante.
                            D. Antónia Saraiva nasceu a 13-IV-1884 em Castelo Novo e aí baptizada no dia 30-IV-1884
                            na citada Igreja de N.ª Sr.ª da Graça, tendo sido apadrinhada por António Borrego, casa-
                            do, serrador, e por sua filha D. Ana Borrego, solteira, moradores em Castelo Novo.
                            A nubente era neta paterna de Jacinto Esteves, natural do Souto da Casa, e de D. Maria
                            Antónia, natural de Castelo Novo; e neta materna de Antónia Saraiva, natural do Souto
                            da Casa, e de D. Ana Inês Saraiva, natural de Castelo Novo.
                   5.       ANTÓNIO MENDES (1878?-1896) nasceu a 27-VI-1878 e foi baptizado a 10-VII-1878 na
                            Igreja de N.ª Sr.ª da Graça de Castelo Novo, apadrinhado por António Figueiredo, jorna-
                            leiro, e por Ana Patrício, solteiros. Faleceu prematuramente a 2-X-1896 (?) aos 18 anos de
                            idade.
         4.       D. JOAQUINA AUGUSTA MENDES (1828?-1893), que sabemos ter falecido a 1-IV-1893 na então
                  Rua das Migradeiras[16], a actual Rua da Gardunha, em Castelo Novo, com 65 anos de idade,
                  sem testamento, e foi sepultada no cemitério público.
                  Casou a 7-VIII-1851 na Igreja de N.ª Sr.ª da Graça em Castelo Novo com seu marido AUGUSTO
                  JOSÉ ALVES, proprietário, natural de Castelo Novo, tendo por testemunhas Manuel Vaz da
                  Silva e Manuel da Trindade. Este era filho de João Jorge Alves e de D. Carlota Joaquina, já de-
                  funtos à data do casamento deste seu filho. Tiveram geração, que desconhecemos.
         4.       FELIZARDO MENDES FALCÃO (f. 1908), que segue abaixo.
         4.       D. GERTRUDES ANGÉLICA MENDES FALCÃO (c. 1859), natural de Castelo Novo.
                   Casou a 28-IV-1859 na Igreja de N.ª Sr.ª da Graça, nas segundas núpcias de seu marido que foi
                   SIMPLÍCIO NUNES DE SOUSA, proprietário, natural de Oledo, Idanha-a-Nova, então viúvo de
                   D. Maria do Carmo Gomes; filho de Joaquim Jorge de Sousa, proprietário, natural da Lousa,
                   Idanha-a-Nova, e de D. Rita Nunes Pires.
                   Para casarem foram «dispensados no terceiro e quarto grau de consanguinidade», e tiveram
                   por testemunhas seu irmão Felizardo Mendes Falcão (f. 1908) e Augusto Jorge Alves.


4.       FELIZARDO MENDES FALCÃO (f. 1908), proprietário, natural de Castelo Novo, faleceu a 24(?)-III-
          -1908 no n.º 180 da então Rua da Cruz. 
          Casou a 19-I-1859 na Igreja de N.ª Sr.ª da Graça em Castelo Novo com D. ANA MARIA DE SÃO
          JOSÉ (1830?-1900), a qual veio a falecer a 12-XI-1900 na então designada Praça da Palha em Castelo
          Novo, aos 70 anos de idade, sendo sepultada no cemitério público. Foram testemunhas deste enlace
          Augusto José Alves e Joaquim Henriques da Rocha, o qual trouxe para a família MENDES FALCÃO
          a posse do domínio útil da Casa Silvestre Fernandes Falcão (1616), actualmente denominada «Solar
          Dom Silvestre», pelo facto de seu irmão JOSÉ FERNANDES SIMÃO (f. 1858) ter falecido solteiro a
           21-VI-1858 em Castelo Novo.
Castelo Novo,
Casa de Silvestre F. Leitão (1616),
posterior Casa Falcão
(Solar Dom Silvestre)
Sua mulher era filha herdeira de ANTÓNIO FERNANDES SIMÃO (1787?-1877), proprietário, senhor do domínio útil (foreiro) da citada casa, natural do então lugar da Enxabarda, freguesia do Castelejo, concelho do Fundão, falecido já viúvo com perto de 90 anos a 30-III-1877 no n.º 181 da Rua da Cruz em Castelo Novo, o qual foi casado com D. ANA DE SÃO JOSÉ (f. 1867), proprietária, natural de Alcongosta, falecida a 1-I-1867 no n.º 180 da antiga Rua da Cruz – casa contígua que veio a fazer parte do actual Solar Dom Silvestre? , quando contava 80 anos de idade; neta paterna de Simão Fernandes e de sua mulher D. Josefa Antunes, proprietários, ambos naturais do Castelejo; e neta materna de João Rodrigues Galoupa (?), natural de Alcongosta, e de D. Rosa Maria, natural de Castelo Novo.
Quanto à antiga Rua da Cruz onde esta família morava[17]– designação tirada de um cruzeiro em granito que nela existia e posteriormente foi
mudado para a esquina de uma rua transversal –, foi rebaptizada de Rua da
         Misericórdia no primeiro quartel do século XX. 
                      ANTÓNIO FERNANDES SIMÃO (1787?-1877), à semelhança de outros casos então sucedidos
                      nesta região, terá adquirido o domínio útil (foreiro) da citada casa em hasta pública, na
                      sequência da Lei de 22-Jun-1866 que procedeu à desamortização – transmissão dos bens de
                      mão-morta – das propriedades das câmaras, das paróquias, das confrarias religiosas e
                      demais institutos pios oude beneficência, para os particulares que apresentavam as
                      melhores propostas de aquisição.
         Filhos (4):
         5.       ANTÓNIO MENDES FALCÃO (c. 1906), que segue abaixo.
         5.       MARIA DO PAROCÍNIO DE SÃO JOSÉ (c. 1908), a qual, por morte de seu pai em 1908, foi a-
                   herdeira de «metade de uma casa de altos e baixos na então Rua da Cruz, ou do Chafariz
                   Fundeiro» em Castelo Novo, que se afigura ser parte da actual Solar Dom Silvestre, a qual
                   «confina a nascente com António Mendes Falcão», seu irmão.
         5.       TOMÁS MENDES FALCÃO (c. 1906), residente em Castelo Novo.
         5.       JOSÉ MENDES FALCÃO (1865-1875), homónimo de seu tio, nasceu a 25-I-1865 e foi baptizado
                   a 4-II-1865 na Igreja de N.ª Sr.ª da Graça em Castelo Novo, tendo por padrinhos «os avós ma-
                   ternos, proprietários». Faleceu ainda criança com 10 anos de idade a 5-IV-1875, no n.º 180 da
                   então Rua da Cruz em Castelo Novo, e foi sepultado no cemitério público.

5.       ANTÓNIO MENDES FALCÃO (c. 1906), proprietário, herdeiro do domínio útil (foreiro) da Casa de
         Silvestre Fernandes Leitão (1616)[18]. Ainda solteiro a 21-II-1906, pouco antes do falecimento de seu
         pai, adquiriu o domínio directo da citada casa – por remissão do foro – aos filhos herdeiros do se-
         gundo casamento de BARTOLOMEU DA COSTA DE MACEDO GERALDES BARBA DE MENESES
         (1842-1900), 2.º visconde de Trancoso, ficando na posse plena desta propriedade urbana. 
         Casou e teve geração que chegou aos nossos dias com os apelidos SOROMENHO-RAMOS. São
         estes os actuais proprietários desta emblemática casa agora denominada Solar Dom Silvestre, um
         ex-libris da arquitectura doméstica desta freguesia; quer pela sua ruralidade elegante, quer por con-
         conservar ainda intacta a sua beleza original.
                                                            


Castelo Novo,
Casa de Silvestre F. Leitão (1616),
posterior Casa Falcão
(Solar Dom Silvestre)
Outros MENDES FALCÃO, desentroncados:

ANTÓNIO MENDES FALCÃO (f. 1836), um dos vários homónimos desta família, falecido solteiro a 10-X-1836 em Castelo Novo, e “sepultado em cova de fábrica” no adro da Igreja Matriz.

JOAQUIM MENDES FALCÃO (f. 1838), presbítero secular, faleceu a 12-I-1838 com testamento, e foi sepultado “em cova de fábrica” no adro da Igreja Matriz.

Frei FRANCISCO MENDES FALCÃO (f. 1852), religioso da Ordem de São Francisco, faleceu a 19-III-1852 em Castelo Novo, em cujo cemitério foi sepultado “em cova de fábrica”. 



Notas:

[1]    ROQUE, José Sanches, Alcains e a sua História, título «Capitão Matias Vaz Gonçalves», Castelo Branco: 1970, pp. 320, 321. – Obs: No Site GENEAAL, este PEDRO GONÇALVES FALCÃO, figura com o nome PEDRO VAZ FALCÃO, sem indicar a fonte desta informação. Para este estudo partimos de um esquema genealógico manuscrito da autoria de José Sanches Roque, datado de 20-X-1972, o qual pertence ao arquivo da Casa de Silvestre Fernandes Leitão em Castelo Novo. Este resumo contém várias incorrecções e, por isso, foi cruzado e corrigido com outros dados que constam no GENEALL que nos merecem alguma credibilidade, assim como na obra já atrás citada do mesmo autor.
[2]     A Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1714) foi travada entre as famílias imperiais dos Bourbons e dos Habsburgos pela sucessão do rei espanhol Carlos II (1661-1700), falecido sem descendência, apesar dos seus 2 casamentos, filho de Filipe IV de Espanha (1605-1665) – e III de Portugal.
[3]     ROQUE, José Sanches, Op. cit, Loc. cit.
[5]     ROQUE, José Sanches, Op. cit, Loc. cit.
[6]     Ibid.
[7]     ROQUE, José Sanches, Op. cit, Loc. cit.
[8]     SILVA, Joaquim Candeias, Concelho do Fundão – História e Arte, Vol. I, Fundão: Câmara Municipal do Fundão, 2002, pp. 184, 185.
[9]     ROQUE, José Sanches, Op. cit, Loc. cit
[10]    De JOÃO MENDES FALCÃO (1760?), não encontramos documentação que possa estabelecer a sua filiação, pelo que, devido aos dados cronológicos conhecidos, supomos ser esta que aqui vai.
[11]    D. MARIA JOAQUINA (1803?-1860) era irmã de José da Cunha (1804?-1668), falecido a 15-II-1864 em Castelo Novo, aos 64 anos de idade, o qual foi casado com Ana Gertrudes, natural de Castelo Novo.
[12]    Data dada por Sanches Roque.
[13]    O procurador do concelho era um cargo equivalente ao de tesoureiro, o qual, regra geral era atribuído a pessoas que tivessem meios de honesta subsistência, competindo-lhe, além de representar externamente o concelho, o recebimento das coimas e das rendas municipais.
[14]    SILVA, Joaquim Candeias, Op. cit, Loc. cit.
[15]    MANUEL MARCELINO, aos 49 anos de idade e já viúvo de ANTÓNIA PAULINA, voltou a casar-se a 25-I-1904 com D. DELFINA MARIA, esta de 42 anos e viúva de GREGÓRIO NUNES.
[16]    O topónimo MIGRADEIRAS, comum à raia do Riba Côa e a outras localidades da Beira Interior, provém do nome popular da árvore que dá a romã (milgranada > de mil+grãos), a qual é a romanzeira (meligradeira ou migradeira)
[17]    O nome de Rua da Cruz é a antiga morada da actual Casa Dom Silvestre, como consta por escrituras antigas.
[18]    O titular do domínio directo é designado por senhorio; e o titular do domínio útil é o foreiro ou enfiteuta. Um prédio sujeito a enfiteuse diz-se prazo e pode ser rústico ou urbano.